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Ciro Nogueira planeja a conversão total de Bolsonaro à “velha política”

Convidado para chefiar a Casa Civil, senador quer que o presidente se filie a um partido de grande porte e escolha um político profissional para vice

Por Daniel Pereira 24 jul 2021, 19h24

Antes mesmo de ser convidado para chefiar a Casa Civil, o senador Ciro Nogueira (PI) dizia estar fechado com o projeto de reeleição de Jair Bolsonaro. Comandante do PP, ele costuma alegar a seus colegas de Centrão que o governo federal recuperará popularidade — e o ex-capitão ganhará terreno nas pesquisas eleitorais — com o avanço da vacinação contra a Covid-19, a recuperação da economia e o aumento do gasto público, com destaque para a expansão do Bolsa Família. Apesar das juras de fidelidade e do discurso otimista, Ciro Nogueira diverge do presidente em algumas questões eleitorais importantes. Uma delas diz respeito ao perfil ideal do candidato a vice na chapa à reeleição.

Desconfiado por natureza, Bolsonaro prefere ter como companheiro de chapa alguém que não seja político e não tenha articulação com o Congresso, o que, na visão dele, afastaria o risco de o vice conspirar com congressistas para derrubá-lo do poder. O presidente e pessoas próximas a ele já insinuaram mais de uma vez que o atual vice-presidente da República, o general Hamilton Mourão, cobiçou a Presidência. Não há evidências de que isso tenha ocorrido. Mesmo assim, a reedição da parceria com Mourão em 2022 está descartada.

Para Ciro Nogueira, a preferência de Bolsonaro por um “bolsonarista raiz” é um erro, porque não agrega valor à chapa. Seria o mesmo que falar para convertidos. O senador defende que o vice represente setores dos eleitorado nos quais o ex-capitão enfrenta resistência e, de preferência, seja filiado a um partido de grande porte, que tenha direito a boas fatias tanto da propaganda quanto do fundo eleitoral. Uma das opções aventadas pelo parlamentar é um político do Nordeste de uma legenda do Centrão. Coincidentemente, Ciro Nogueira se encaixa perfeitamente nesse perfil.

Antes do convite para a Casa Civil, o senador trabalhava com a possibilidade de concorrer ao governo do Piauí. Ele nunca escondeu, no entanto, que não morre de amores pela ideia de ser governador. O Executivo não seria a praia dele, que se sente mais confortável em Brasília, fazendo política nos bastidores. Como se sabe, a função de vice é perfeita para quem quer articular nas coxias sem chamar muito a atenção, como bem demonstrou a passagem de Michel Temer pelo cargo.

Assim como o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), com quem faz parceria nas negociações com o Congresso e nas nomeações para cargos públicos, Ciro Nogueira também defende que Bolsonaro se filie a um partido de grande porte, já que a eleição de 2022 será acirrada e demandará ativos de que o presidente não precisou em 2018, como propaganda na TV, fundo partidário e fundo eleitoral. O senador convidou Bolsonaro para se filiar ao PP. A conversa ainda está em andamento, mas já rendeu os primeiros frutos. O ministro das Comunicações, Fábio Faria, anunciou que trocará o PSD pelo PP. Se depender do futuro ministro da Casa Civil, Bolsonaro disputará a reeleição como um autêntico nome da velha política, aquela que o ex-capitão, candidato em 2018, dizia repudiar.

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