Venezuela registra inflação de 475% em 2025, quase dez vezes maior que no ano anterior
Pressão do endurecimento de sanções dos EUA e desvalorização da moeda podem levar à volta da hiperinflação que arrasou país em 2017
A inflação na Venezuela disparou em 2025 e atingiu 475%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 6, pelo Banco Central da Venezuela (BCV). O número representa um aumento de quase dez vezes em relação aos 48% registrados no ano anterior e marca a primeira publicação oficial do indicador em mais de um ano.
A economia do país foi fortemente impactada no ano passado pelo endurecimento das sanções impostas pelos Estados Unidos. As medidas dificultaram a intervenção do Banco Central no mercado cambial, contribuindo para a desvalorização da moeda e a alta generalizada de preços de bens e serviços.
A pressão inflacionária levou economistas a alertarem que a Venezuela poderia voltar a enfrentar um quadro de hiperinflação em 2025 — situação que o país já viveu entre 2017 e 2022.
Depois da captura do ditador deposto Nicolás Maduro em uma operação das forças americanas em 3 de janeiro, a Venezuela cedeu aos Estados Unidos o controle da comercialização de seu petróleo e reformou sua Lei de Hidrocarbonetos para permitir maior participação privada.
Com Washington agora no controle das vendas do petróleo venezuelano, os lucros são depositados em um fundo no Catar, disponível para o novo governo venezuelano, liderado pela presidente interina, Delcy Rodríguez.
Nos primeiros meses de 2026, a Venezuela já registrou uma inflação acumulada de quase 52%, de acordo com o Banco Central.
Apesar da disparada nos preços, o BCV informou na quarta-feira que a economia venezuelana cresceu 8,66% em 2025, resultado impulsionado principalmente pela expansão da atividade petrolífera.





