Clique e assine a partir de 9,90/mês

Vaticano cobra silêncio de cardeais sobre conclave

Entrevistas coletivas concedidas por cardeais americanos haviam se tornado fonte de informações em meio ao sigilo do processo de escolha do novo papa

Por Da Redação - 6 mar 2013, 19h07

A comunicação formal entre a imprensa e os cardeais americanos que participam das reuniões preparatórias para a eleição do novo papa foi cortada depois de decisões confidenciais serem divulgadas por jornais italianos, nesta quarta-feira. O La Stampa publicou que os cardeais pediam por reformas no aparato burocrático que administra a Igreja Católica e mais informações sobre o vazamento de correspondências papais no ano passado, escândalo que ficou conhecido como Vatileaks. O texto também informa que alguns religiosos desejam estender as reuniões preliminares até a próxima semana.

“A congregação geral expressou preocupação sobre vazamento de procedimentos confidenciais divulgadas em jornais italianos”, disse Mary Ann Walsh, diretora de relações com a imprensa da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos. “Como precaução, os cardiais aceitaram não conceder entrevistas.”

De acordo com o jornal americano The Washington Post, a decisão, comunicada uma hora antes de uma nova entrevista coletiva que estava prevista, marca o fim de um período de transparência por parte dos cardeais americanos, que disseram esperar manter a imprensa informada sem quebrar os votos de sigilo.

Na manhã desta quarta, foi realizada mais uma reunião de preparação para o conclave que elegerá o sucessor de Bento XVI. A decisão mais aguardada pelos fiéis ainda não foi tomada, como informou o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi: a data do início do conclave ainda não foi definida. Dos 115 cardeais eleitores, 113 participaram da congregação desta quinta, que reuniu um total de 153 cardeais – aqueles que têm mais de 80 anos não podem votar.

Continua após a publicidade

Neste período preparatório, as entrevistas coletivas concedidas pelos cardeais americanos se transformaram em uma forma de conseguir informações sobre um processo tradicionalmente secreto. Durante o conclave, os cardeais se hospedam no Vaticano e não devem ter nenhum contato com o mundo exterior. Isolados na Capela Sistina, os cardeais juram que vão seguir as regras e guardar segredo sobre a eleição – mesmo depois do anúncio do novo papa -, sob pena de excomunhão.

Debates – Nas dezoito intervenções feitas por cardeais nesta quarta, “as esperanças e as expectativas sobre o perfil do próximo papa começaram a aparecer”, disse Lombardi.

Os cardeais também decidiram levar o tempo que for necessário para analisar a situação da Igreja antes de convocar o conclave. Nesta quinta-feira, a previsão é que duas reuniões sejam realizadas, intensificando os trabalhos, mas o padre Lombardi considerou improvável que a data do conclave seja votada amanhã.

O porta-voz também foi questionado sobre uma lista com o nome de doze cardeais que não deveriam ser considerados possíveis sucessores de Bento XVI segundo uma rede americana de vítimas de pedofilia. A lista inclui o italiano Angelo Scola, o canadense Marc Ouellet, o ganês Peter Turkson e o hondurenho Oscar Rodriguez Maradiaga. Segundo o grupo Snap, eles não são questionados por terem protegidos padres pedófilos, mas por terem tentado relativizar o comportamento dos que cometeram abusos. “Não cabe a Snap dizer quem deve participar ou não. Os cardeais podem tomar suas decisões sem a necessidade de pedir conselhos”, disse Lombardi.

Continua após a publicidade

(Com agência France-Presse)

Publicidade