Trump reforça ameaças e diz que líder supremo do Irã ‘deveria estar muito preocupado’
Fala se dá em meio ao reforço de presença militar americana e possibilidade de cancelamento de reunião entre representantes
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira, 4, que o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, “deveria estar muito preocupado”. A fala se dá em meio ao reforço de presença militar americana na região e vem na esteira de uma série de ameaças do republicano sobre um ataque a Teerã caso a diplomacia falhe.
“Digo que ele deveria estar muito preocupado”, advertiu Trump, em entrevista ao canal NBC News. “Como sabem, estão negociando conosco”.
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Nas últimas semanas, Trump despachou o que definiu como “enorme armada” ao Oriente Médio, liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln, e alertou que “coisas ruins” aconteceriam caso um acordo não fosse alcançado.
Na terça-feira 3, as tensões na região aumentaram depois que o porta-aviões abateu um drone que teria se aproximado de forma “agressiva” da embarcação, além do Comando Central das Forças Armadas americanas ter acusado navios da Guarda Revolucionária Islâmica de “importunarem” um petroleiro de bandeira dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz.
Os comentários do republicano desta quarta-feira seguem reportagem do portal Axios que afirma que as conversas previstas para a próxima sexta-feira entre Washington e Teerã sobre um possível acordo de não-proliferação de armas nucleares estão por um fio, sobretudo devido à recusa dos EUA em mudar o local do encontro e o formato das reuniões. Enquanto o Irã sustenta que seu programa de enriquecimento de urânio tem fins puramente energéticos, os EUA, bem como Israel e países europeus, acusam a nação persa de tentar desenvolver uma bomba atômica.
Trump não detalhou publicamente o que busca em um possível acordo. Os pontos de negociação anteriores de seu governo incluíram a proibição do enriquecimento de urânio pelo Irã, restrições a mísseis balísticos de longo alcance e o fim do apoio iraniano à sua já enfraquecida rede de grupos armados no Oriente Médio. Anteriormente, Teerã indicou que todas as três exigências são violações inaceitáveis de sua soberania, mas entende-se que o maior obstáculo diz respeito aos mísseis.
Anteriormente, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, havia dito que não vai haver negociação com os Estados Unidos até as ameaças acabem. O chanceler também desmentiu Trump (que havia acusado o Irã de descartar tratativas), enfatizando que seu governo tentou fazer contato com Washington “várias vezes” por meio de telefonemas. Além disso, a missão do país nas Nações Unidas publicou no Facebook que se defenderia “como nunca antes” se pressionado.
Os Estados do Golfo – aliados de longa data dos Estados Unidos e sede de importantes bases americanas – têm pedido contenção, por temerem ser os primeiros alvos de uma retaliação iraniana.
A crise entre Estados Unidos e Irã, nutrida ao longo do ano passado com uma guerra aérea que envolveu ataques americanos contra instalações nucleares da nação persa, aumentou de tom diante da repressão promovida pelo governo iraniano contra protestos que tomaram o país desde o início do ano. As manifestações, motivadas inicialmente pelo derretimento da moeda local, o rial, e a crise inflacionária subsequente, cresceram e passaram a pedir o “fim da ditadura” e a deposição de Khamenei. No auge dos atos, Trump ameaçou intervir militarmente em prol dos manifestantes e chegou a dizer que a ajuda estava “a caminho”.
No entanto, as tensões enfraqueceram após as autoridades iranianas desistirem das execuções de manifestantes presos que estariam sendo planejadas. Na semana passada, o presidente americano disse que navios de guerra americanos estavam sendo enviados “por precaução” e que acompanhava de perto a situação no país. “Vamos ver o que acontece”, afirmou à época.
A liderança do Irã está cada vez mais preocupada com a possibilidade de um ataque dos Estados Unidos quebrar seu controle do poder, levando uma população já enfurecida de volta às ruas, de acordo com seis autoridades iranianas ouvidas pela Reuters. Em Omã, a prioridade deve ser evitar conflitos e reduzir a tensão.





