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Trump posta foto de Maduro vendado e algemado após captura

Ditador da Venezuela está a caminho de NY, onde deve ser julgado por crimes relacionados ao narcotráfico, segundo o presidente dos EUA

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 jan 2026, 13h34 • Atualizado em 3 jan 2026, 15h49
  • O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pouco antes de iniciar uma coletiva para dar mais informações sobre a operação na Venezuela que bombardeou bases militares e capturou Nicolás Maduro neste sábado, 3, postou uma foto do ditador venezuelano em sua rede preferencial, a Truth Social, em que é mostrado aparentemente algemado e vendado.

    Maduro aparece na foto vestindo um conjunto de moletom Nike, com o que parecem ser algemas nos pulsos e acessórios para privação sensorial, incluindo óculos de sol e fones de ouvido. Em uma das mãos, segura uma garrafa plástica com água. A imagem evoca menos um chefe de Estado e mais um narcotraficante, lembrando as capturas de criminosos famosos como o colombiano Pablo Escobar ou o mexicano Joaquín Archivaldo Guzmán Loera, mais conhecido pela alcunha El Chapo.

    Nicolás Maduro vendado e algemado em navio após ser capturado pelos EUA. 03/01/2025 -
    Nicolás Maduro vendado e algemado em navio após ser capturado pelos EUA. 03/01/2025 – (Truth Social/@realDonaldTrump/Reprodução)

    De acordo com informações que o próprio Trump deu em entrevista à emissora Fox News, Maduro está sendo levado para Nova York no navio de guerra americano Iwo Jima. A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, havia afirmado que Caracas não sabia o paradeiro de Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, exigindo “prova de vida imediata”.

    Mais cedo, a secretária de Justiça dos Estados Unidos, Pam Bondi, tinha dito que o líder da Venezuela “em breve enfrentará a força total da Justiça americana, em solo americano e em tribunal americano”. Em publicação nas redes sociais, ela citou a acusação contra Maduro, indiciado pelo Distrito Sul de Nova York em 2020 por crimes de “conspiração para o narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos”.

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    Na época, ainda durante o primeiro mandato de Trump, o Departamento de Justiça acusou, em diversas denúncias, Maduro de ter transformado a Venezuela em uma organização criminosa a serviço de narcotraficantes e grupos terroristas, enquanto ele e seus aliados desviavam bilhões do país sul-americano.

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    Escalada de tensão

    No final de outubro, Trump revelou que havia autorizado a CIA a conduzir operações secretas dentro da Venezuela, aumentando as especulações em Caracas de que Washington queria derrubar Nicolás Maduro. Fontes próximas à Casa Branca afirmam que o Pentágono apresentou a Trump diferentes opções, incluindo ataques a instalações militares venezuelanas — como pistas de pouso — sob a justificativa de vínculos entre setores das Forças Armadas e o narcotráfico.

    Os EUA acusam Maduro de liderar o Cartel de los Soles — designado como organização terrorista estrangeira em novembro — e oferecem uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à captura do chefe do regime chavista. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também foi acusado por Trump de ser “líder do tráfico de drogas” e “bandido”. Em paralelo, intensificam-se os ataques a barcos de Organizações Terroristas Designadas, como define o governo americano, no Caribe e no Pacífico. Ao menos 83 tripulantes foram mortos.

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    Em novembro, militares americanos de alto escalão apresentaram opções de operações contra Caracas a Trump. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, e outros oficiais entregaram planos atualizados, que incluíam ataques por terra. Segundo a emissora CBS News, a comunidade de Inteligência dos EUA contribuiu com o fornecimento de informações para as possíveis ofensivas na Venezuela, que variam em intensidade.

    O planejamento militar ocorre em meio à crescente mobilização militar americana na América Latina e ao aumento das expectativas de uma possível ampliação das operações na região, em atos considerados “execuções extrajudiciais” pela Organização das Nações Unidas (ONU). Além do porta-aviões, destróieres com mísseis guiados, caças F-35, um submarino nuclear e cerca de 6.500 soldados foram despachados para o Caribe, enquanto Trump intensifica o jogo de quem pisca primeiro com o governo venezuelano.

    Os incidentes geraram alarme entre alguns juristas e legisladores democratas, que denunciaram os casos como violações do direito internacional. Em contrapartida, Trump argumentou que os EUA já estão envolvidos em uma guerra com grupos narcoterroristas da Venezuela, o que torna os ataques legítimos. Autoridades afirmaram ainda que disparos letais são necessários porque ações tradicionais para prender os tripulantes e apreender as cargas ilícitas falharam em conter o fluxo de narcóticos em direção ao país.

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    Dados das Nações Unidas enfraquecem o discurso de caça às drogas. O Relatório Mundial sobre Drogas de 2025 indica que o fentanil — principal responsável pelas overdoses nos EUA — tem origem no México, e não na Venezuela, que praticamente não participa da produção ou do contrabando do opioide para o país. O documento também aponta que as drogas mais usadas pelos americanos não têm origem na Venezuela — a cocaína, por exemplo, é consumida por cerca de 2% da população e vem majoritariamente de Colômbia, Bolívia e Peru.

    Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada no mês passado revelou que apenas 29% dos americanos apoiam o uso das Forças Armadas dos Estados Unidos para matar suspeitos de narcotráfico, sem o devido processo judicial, uma crítica às ações de Trump. Em um sinal de divisão entre os apoiadores do presidente, 27% dos republicanos entrevistados se opuseram à prática, enquanto 58% a apoiaram e o restante não tinha opinião formada. No Partido Democrata, cerca de 75% dos eleitores são contra as operações, e 10% a favor.

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