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Ministro da Defesa da Venezuela promete resistir à ‘invasão’ dos EUA, após ataques contra Maduro

Segundo Padrino López, governo ainda está coletando informações sobre número de mortos e de feridos

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 jan 2026, 07h30 • Atualizado em 3 jan 2026, 09h36
  • O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, afirmou neste sábado, 3, que ataques dos Estados Unidos atingiram áreas urbanas em todo o país com mísseis e foguetes disparados de helicópteros de combate. Mais cedo, o presidente americano, Donald Trump, anunciou ataques de “grande escala” e disse que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, foram “capturados” durante a operação.

    Segundo Padrino López, o governo venezuelano ainda está coletando informações sobre o número de mortos e de feridos. A instalação militar de Forte Tiuna, em Caracas, foi atacada. O governo venezuelano já havia confirmado ataques nos estados de Miranda, La Guaira e Aragua.

    O ministro insistiu que o país resistirá à presença de tropas estrangeiras em território venezuelano.

    “Esta invasão representa a maior afronta que o país já sofreu”, acrescentou.

    Durante a madrugada, explosões foram ouvidas na Venezuela, incluindo em sua capital, Caracas. O regime Maduro decretou estado de emergência, acusou os Estados Unidos de “agressão militar” e responsabilizou o governo Trump pelos ataques.

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    Em comunicado, o governo da Venezuela instou os cidadãos a se levantarem contra o ataque e afirmou que Washington corre o risco de afundar a América Latina no caos com um ato “extremamente grave” de “agressão militar”. “Todo o país deve se mobilizar para derrotar essa agressão imperialista”, disse o regime.

    Em entrevista divulgada nesta quinta-feira, 1°, Maduro havia mostrado interesse em negociar um acordo com os Estados Unidos para o combate do narcotráfico. Apesar do tom conciliatório, o chavista voltou a afirmar que o plano dos EUA é forçar uma mudança de poder em Caracas para ter acesso a recursos naturais venezuelanos, como o petróleo.

    “O que eles buscam? É evidente que buscam se impor por meio de ameaças, intimidação e força”, alegou Maduro, acrescentando mais tarde que os dois países deveriam começar “a conversar seriamente, com dados em mãos”.

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    Escalada de tensão

    No final de outubro, Trump revelou que havia autorizado a CIA a conduzir operações secretas dentro da Venezuela, aumentando as especulações em Caracas de que Washington queria derrubar Nicolás Maduro. Fontes próximas à Casa Branca afirmam que o Pentágono apresentou a Trump diferentes opções, incluindo ataques a instalações militares venezuelanas — como pistas de pouso — sob a justificativa de vínculos entre setores das Forças Armadas e o narcotráfico.

    Os EUA acusam Maduro de liderar o Cartel de los Soles — designado como organização terrorista estrangeira em novembro — e oferecem uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à captura do chefe do regime chavista. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também foi acusado por Trump de ser “líder do tráfico de drogas” e “bandido”. Em paralelo, intensificam-se os ataques a barcos de Organizações Terroristas Designadas, como define o governo americano, no Caribe e no Pacífico. Ao menos 83 tripulantes foram mortos.

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    Em novembro, militares americanos de alto escalão apresentaram opções de operações contra Caracas a Trump. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, e outros oficiais entregaram planos atualizados, que incluíam ataques por terra. Segundo a emissora CBS News, a comunidade de Inteligência dos EUA contribuiu com o fornecimento de informações para as possíveis ofensivas na Venezuela, que variam em intensidade.

    O planejamento militar ocorre em meio à crescente mobilização militar americana na América Latina e ao aumento das expectativas de uma possível ampliação das operações na região, em atos considerados “execuções extrajudiciais” pela Organização das Nações Unidas (ONU). Além do porta-aviões, destróieres com mísseis guiados, caças F-35, um submarino nuclear e cerca de 6.500 soldados foram despachados para o Caribe, enquanto Trump intensifica o jogo de quem pisca primeiro com o governo venezuelano.

    Os incidentes geraram alarme entre alguns juristas e legisladores democratas, que denunciaram os casos como violações do direito internacional. Em contrapartida, Trump argumentou que os EUA já estão envolvidos em uma guerra com grupos narcoterroristas da Venezuela, o que torna os ataques legítimos. Autoridades afirmaram ainda que disparos letais são necessários porque ações tradicionais para prender os tripulantes e apreender as cargas ilícitas falharam em conter o fluxo de narcóticos em direção ao país.

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    Dados das Nações Unidas enfraquecem o discurso de caça às drogas. O Relatório Mundial sobre Drogas de 2025 indica que o fentanil — principal responsável pelas overdoses nos EUA — tem origem no México, e não na Venezuela, que praticamente não participa da produção ou do contrabando do opioide para o país. O documento também aponta que as drogas mais usadas pelos americanos não têm origem na Venezuela — a cocaína, por exemplo, é consumida por cerca de 2% da população e vem majoritariamente de Colômbia, Bolívia e Peru.

    Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada no mês passado revelou que apenas 29% dos americanos apoiam o uso das Forças Armadas dos Estados Unidos para matar suspeitos de narcotráfico, sem o devido processo judicial, uma crítica às ações de Trump. Em um sinal de divisão entre os apoiadores do presidente, 27% dos republicanos entrevistados se opuseram à prática, enquanto 58% a apoiaram e o restante não tinha opinião formada. No Partido Democrata, cerca de 75% dos eleitores são contra as operações, e 10% a favor.

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