Trump diz que ‘não está feliz’ com escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder do Irã
Presidente americano disse na semana passada que deveria ter participação na escolha
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira, 9, que “não está feliz” com a nomeação de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã.
Em entrevista ao jornal americano New York Post, quando perguntado o que pretende fazer, ele respondeu: “Não vou dizer. Não estou feliz com a escolha dele”.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, advertiu na semana passada que qualquer sucessor de Ali Khamenei se tornaria “um alvo”.
Mojtaba Khamenei foi eleito no domingo para assumir o comando do Irã, sucedendo o pai, Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro, aos 86 anos, durante ataques americanos e israelenses contra Teerã.
Na semana passada, Trump já havia afirmado que o nome de Mojtaba seria “inaceitável”, dizendo que deveria ter papel na escolha do próximo líder supremo do Irã — uma decisão feita por uma assembleia de clérigos muçulmanos xiitas, em sua maioria fortemente contrários aos Estados Unidos. Trump foi criado como presbiteriano.
“O filho de Khamenei é um peso-leve. Tenho que participar da nomeação, como com Delcy”, disse Trump em entrevista ao site de notícias Axios, fazendo uma comparação com a Venezuela, onde a presidente interina, Delcy Rodríguez, tem mostrado maior cooperação com Washington após a captura de Nicolás Maduro.
Ao Axios, Trump disse ainda que os EUA provavelmente voltariam à guerra dentro de cinco anos se não houver um líder favorável a Washington no Irã. O líder supremo do Irã tem a palavra final sobre temas estratégicos, como política externa e o programa nuclear — que o governo iraniano alega ter fins civis.
“O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz para o Irã”, disse Trump ao veículo.
Embora nunca tenha ocupado um cargo oficial no governo da República Islâmica, Mojtaba é descrito como figura influente nos bastidores do poder, atuando como uma espécie de “guardião” do gabinete do pai.
Nascido em 1969 na cidade de Mashhad, o filho de Ali Khamenei cresceu durante o período em que seu pai participava da oposição ao xá deposto na Revolução Islâmica de 1979. Durante sua juventude, serviu na Guerra Irã-Iraque e, posteriormente, estudou em seminários religiosos na cidade de Qom, centro da formação teológica xiita.
Devido à sua discrição em cerimônias oficiais e nos meios de comunicação, sua verdadeira influência deu origem a especulações intensas, tanto entre a população iraniana quanto em círculos diplomáticos.
O religioso, com barba grisalha e turbante negro dos “seyed” — descendentes do profeta Maomé — foi apresentado por alguns como o verdadeiro dirigente, que atuaria nos bastidores no escritório do líder supremo, núcleo do poder no Irã.
Ele é considerado próximo dos conservadores, especialmente por seus vínculos com a Guarda Revolucionária, o exército ideológico da república islâmica. Essa relação remonta à sua participação em uma unidade de combate no final da longa guerra entre Iraque e Irã (1980-1988).





