Trump diz que deveria participar de escolha de novo líder do Irã e descarta filho de Khamenei
Fala segue morte, no último sábado, do aiatolá Ali Khamenei, durante ataques americanos e israelenses
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira, 5, que deveria ter um papel na escolha do próximo líder supremo do Irã, após o assassinato do aiatolá Ali Khamenei, durante ataques americanos e israelenses no último sábado. O republicano insistiu ainda que o nome do filho do clérigo, Mojtaba Khamenei, apontado como o sucessor mais provável, seria “inaceitável”.
“O filho de Khamenei é um peso-leve. Tenho que participar da nomeação, como com Delcy”, disse Trump em entrevista ao site de notícias Axios, fazendo uma comparação com a Venezuela, onde a presidente interina, Delcy Rodríguez, tem mostrado maior cooperação com Washington após a captura de Nicolás Maduro.
Ao Axios, Trump disse ainda que os EUA provavelmente voltariam à guerra dentro de cinco anos se não houver um líder favorável a Washington no Irã. O líder supremo do Irã tem a palavra final sobre temas estratégicos, como política externa e o programa nuclear — que o governo iraniano alega ter fins civis.
“O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz para o Irã”, disse Trump ao veículo.
A escolha do novo líder supremo do Irã é feita por uma assembleia de clérigos muçulmanos xiitas, em sua maioria fortemente contrários aos Estados Unidos. Trump foi criado como presbiteriano.
O regime iraniano afirmou na quarta-feira que trabalha para designar rapidamente o sucessor de Ali Khamenei. “Estamos fazendo tudo o que podemos”, declarou Ahmad Khatami, membro da Assembleia de Especialistas, a instituição responsável por escolher um novo líder supremo.
“Se Deus quiser, o líder será nomeado o mais rápido possível. Estamos próximos de uma decisão, mas a situação é de guerra”, disse ele à televisão estatal, dando a entender que o processo pode demorar um pouco mais.
Khamenei, de 86 anos e que estava no poder desde 1989, morreu no sábado, no início da ofensiva israelense-americana no Irã. Inicialmente, era previsto que o funeral de Estado começasse nesta quarta-feira à noite e durasse três dias, mas a televisão estatal anunciou um adiamento.
“A cerimônia de despedida do imã mártir foi adiada (…) diante da previsão de uma participação sem precedentes”, afirmou a televisão estatal. A nova data será “comunicada posteriormente”, acrescentou.
As homenagens seriam prestadas, segundo um comunicado do Conselho Islâmico para a Coordenação do Desenvolvimento e divulgado pela agência de notícias estatal IRNA, com visitas à Grande Mesquita Imã Khomeini, em Teerã. Depois, o aiatolá seria enterrado na cidade sagrada de Mashhad, no nordeste do país, de onde era natural.
Mojtaba Khamenei
Entre os nomes que despontam como favoritos para ocupar o posto está o de Mojtaba Khamenei, de 56 anos, segundo filho do aiatolá Ali Khamenei.
Embora nunca tenha ocupado um cargo oficial no governo da República Islâmica, Mojtaba é descrito como figura influente nos bastidores do poder, atuando como uma espécie de “guardião” do gabinete do pai.
Nascido em 1969 na cidade de Mashhad, o filho de Ali Khamenei cresceu durante o período em que seu pai participava da oposição ao xá deposto na Revolução Islâmica de 1979. Durante sua juventude, serviu na Guerra Irã-Iraque e, posteriormente, estudou em seminários religiosos na cidade de Qom, centro da formação teológica xiita.
Alinhado a setores conservadores, Mojtaba se posicionou contra reformistas que defendem maior aproximação com o Ocidente e flexibilização de normas internas.
Apesar de Mojtaba ser cotado como favorito para o cargo, a possível sucessão de pai para filho enfrenta resistência dentro da hierarquia clerical xiita. A ideia de dinastia política é malvista em um país cuja República Islâmica nasceu após a derrubada de uma monarquia em 1979. Críticos também afirmam que Mojtaba não possui a qualificação religiosa tradicionalmente exigida para o cargo.
Em 2019, ele foi alvo de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, sob a acusação de atuar oficialmente em nome do pai sem ter sido eleito ou nomeado para função pública.





