Trump diz que guerra no Irã está ‘praticamente concluída’; ataques chegam ao 10º dia
Ministério das Relações Exteriores iraniano voltou a rejeitar um cessar-fogo após escolha de novo líder supremo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira, 9, que a guerra contra o Irã está “praticamente concluída”, indicando que “não sobrou nada do ponto de vista militar”.
O conflito desencadeado por ataques americanos e israelenses ao Irã entrou no 10º dia nesta segunda. À época, o republicano disse que ataques poderiam durar de quatro a cinco semanas.
“Acho que a guerra está praticamente concluída. Eles não têm Marinha, não têm comunicações, não têm Força Aérea”, disse Trump em entrevista à emissora americana CBS. “Os drones estão sendo destruídos por toda parte, inclusive as fábricas de drones. Se você olhar, não sobrou nada”.
Pouco depois, em fala à imprensa na Casa Branca, ele reforçou que trata-se de uma “incursão de curto prazo”. Questionado por um repórter se previa o fim das operações militares americanas nesta semana ou em poucos dias, Trump respondeu: “Acho que sim”.
“Veja bem, tudo o que eles tinham se foi, inclusive a liderança”, disse ele. “Na verdade, havia dois níveis de liderança, e até mesmo, como se constatou, mais do que isso. Mas dois níveis de liderança se foram”.
A fala, no entanto, contrasta com declarações do lado iraniano. Nesta segunda, o Ministério das Relações Exteriores iraniano voltou a rejeitar um cessar-fogo com Estados Unidos e Israel, após a escolha de Mojtaba Khamenei como líder supremo e sucessor de seu pai, Ali Khamenei, assassinado no início do conflito.
O porta-voz da pasta, Esmaeil Baghaei, afirmou que o Irã não começou a guerra e que discutir uma trégua seria impossível enquanto ainda estivesse sob ataque constante.“Estamos no décimo primeiro dia de agressão militar por parte dos Estados Unidos e do regime sionista. Não começamos esta guerra”, declarou Baghaei a jornalistas. “A agressão militar continua e, portanto, nesta situação, há pouco espaço para falar sobre qualquer coisa além de defesa e uma resposta contundente ao inimigo”, acrescentou, afirmando que o Irã mantém 100% do foco na defesa do país.
No domingo 8, antes mesmo de Mojtaba Khamenei ser anunciado como líder supremo, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, já havia rechaçado os apelos por um cessar-fogo. Durante entrevista à emissora americana NBC News, ele declarou que seu país precisa “continuar lutando pelo bem do nosso povo”.
Os Estados Unidos e Israel “estão matando nosso povo, estão matando estudantes, estão atacando hospitais”, disse o diplomata, taxando ambos países de não confiáveis por terem violado a trégua firmada para encerrar uma guerra semelhante, que durou 12 dias, em junho de 2025. “E agora vocês querem pedir um cessar-fogo novamente? Isso não funciona assim”.
“É preciso haver um fim permanente para a guerra”, defendeu Araghchi. “A menos que cheguemos a isso, acho que precisamos continuar lutando pelo bem do nosso povo e pela nossa segurança”.
Um ataque do Irã provocou explosões e um incêndio nas instalações petrolíferas de Al Ma’ameer, principal refinaria do Bahrein, nesta segunda-feira, 9, levando a estatal Bapco Energies a invocar a cláusula conhecida como “força maior” para limitar suas exportações e poder continuar atendendo o mercado interno. Com isso, o país se junta ao Catar e ao Kuwait na suspensão da venda de petróleo para o exterior que fez o preço do barril disparar para mais de US$ 100 desde o início da guerra no Oriente Médio, há dez dias.
Em resposta aos ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel, que começaram em 28 de fevereiro, o Irã iniciou uma ampla campanha retaliatória contra o território israelense e as nações do Golfo que abrigam bases militares americanas. Embora o regime dos aiatolás tenha negado que as ricas monarquias sejam seu alvo, que seria restrito apenas a ativos ligados a Washington (como as bases, embaixadas e consulados atingidos), autoridades árabes afirmaram à emissora americana NBC News que a saraivada contra instalações petrolíferas é proposital e visa aumentar os preços globais de energia para pressionar a Casa Branca e o governo israelense a interromperem o conflito.





