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Trump ameaça taxar países que não apoiarem plano dos EUA de controlar Groenlândia

Declaração segue reunião na Casa Branca que terminou em impasse e envio de uma força europeia para reforçar a segurança da ilha no Ártico

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 jan 2026, 13h37 | Atualizado em 16 jan 2026, 13h39
Trump ameaça taxar países que não apoiarem plano dos EUA de controlar Groenlândia Priorize VEJA no Google

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu na sexta-feira, 16, que pode impor tarifas sobre países que são contrários ao plano de tomada de controle da Groenlândia por Washington.

Durante evento na Casa Branca sobre temas de saúde, o republicano relembrou como ameaçou aliados europeus com tarifas sobre produtos farmacêuticos, dizendo que o mesmo pode ser feito quando o assunto é a Groenlândia.

“Posso impor tarifas a países que não concordarem com a Groenlândia, porque precisamos da Groenlândia para a segurança nacional. Então, posso fazer isso”, afirmou.

+ Enviado dos EUA afirma que acordo sobre a Groenlândia ‘deve e será feito’

Mais cedo, o enviado especial dos Estados Unidos para a Groenlândia, Jeff Landry, disse acreditar que um acordo sobre o território “pode e deve” ser alcançado. Seus comentários encerram uma semana agitada sobre a temática, com uma reunião na Casa Branca que terminou em impasse e o envio de uma força europeia para reforçar a segurança da ilha no Ártico, um território semiautônomo que pertence à Dinamarca.

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Em entrevista à emissora conservadora Fox News, Landry reiterou que Trump está “falando sério” sobre seus planos de tomar controle da Groenlândia. Embora a Casa Branca insista em um acordo comercial para cumprir o objetivo, não descartou a possibilidade de ação militar.

“Eu acredito que há um acordo que deve e será feito assim que isso se desenrolar”, disse o enviado dos Estados Unidos. “Acho que (Trump) já deixou claras as suas intenções. Ele disse à Dinamarca o que está buscando, e agora é uma questão de o secretário de Estado Marco Rubio e o vice-presidente J.D. Vance chegarem a um acordo.”

Landry também anunciou que planeja visitar a ilha ártica em março.

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Embora tenha governo autônomo, a Groenlândia permanece sob soberania dinamarquesa e, portanto, protegida pelo guarda-chuva da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar ocidental que os Estados Unidos chefiam.

+ Rússia chama de ‘mito’ acusações de ameaça à Groenlândia

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Forças europeias em cena

Diversos países europeus começaram a enviar militares para a Groenlândia na quinta-feira 15, incluindo França, Suécia, Alemanha, Noruega e Países Baixos, além, claro, da Dinamarca – uma força batizada de “Arctic Endurance” que tem objetivo de preparar as Forças Armadas para exercícios futuros no Ártico e “garantir a segurança diante das ameaças russas e chinesas no Ártico”.

O movimento ocorre após semanas de declarações do presidente Trump, classificando a ilha como “vital” para os interesses estratégicos dos Estados Unidos e sugerindo que Washington deveria controlar o território para impedir um avanço de Rússia ou China no Ártico.

O anúncio também coincide com reuniões diplomáticas em Washington entre autoridades dinamarquesas, groenlandesas e representantes do governo americano, destinadas a discutir o futuro da região e a tentativa de reduzir tensões. Recentemente, líderes de ambos os territórios europeus reafirmaram que a ilha “não está à venda”.

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Após o encontro — que contou com a presença de Vance e Rubio — um alto representante dinamarquês afirmou que persiste um “desacordo fundamental” com Trump sobre o futuro da Groenlândia. A ministra das Relações Exteriores da ilha, Vivian Motzfeldt, afirmou que o território pretende ampliar a cooperação com Washington, mas deixou claro que não aceita ser controlado pelos Estados Unidos.

Colônia dinamarquesa até 1953, a Groenlândia conquistou autonomia 26 anos depois e vem estudando afrouxar seus laços com a Dinamarca, inclusive por meio da independência total. A grande maioria de sua população de quase 60 mil habitantes, bem como os partidos políticos, afirma não querer estar sob o controle dos Estados Unidos e insiste que os groenlandeses devem decidir seu próprio futuro — ponto de vista repetidamente contestado por Trump, que tem interesse nos preciosos minérios e rotas marítimas da região.

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