Rússia chama de ‘mito’ acusações de ameaça à Groenlândia
Moscou reagiu ao envio de tropas da Otan ao território dinamarquês no Ártico, acusando países ocidentais de provocação
O governo da Rússia classificou nesta quinta-feira, 15, como um “mito” as acusações de que o país representa uma ameaça à Groenlândia, após o envio de tropas adicionais da Otan ao território dinamarquês no Ártico. A declaração foi feita pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, em meio ao aumento das tensões geopolíticas na região.
Segundo Zakharova, a narrativa de uma suposta ameaça russa vem sendo promovida “de forma persistente há muitos anos” pela Dinamarca e por outros países da União Europeia e da Otan, tornando-se, segundo ela, “especialmente contraditória” diante das recentes declarações dos Estados Unidos sobre a Groenlândia.
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A reação de Moscou ocorre após o vice-primeiro-ministro da Groenlândia, Mute Egede, confirmar o deslocamento de mais tropas da Otan para o território, decisão tomada depois de uma reunião na Casa Branca entre autoridades americanas e representantes da Dinamarca e do território autônomo.
Para o governo russo, o reforço militar da Otan no Ártico representa “mais uma provocação dos países ocidentais”, que estariam tentando impor suas regras inclusive em áreas tradicionalmente marcadas pela cooperação internacional.
O tema ganhou ainda mais peso após o presidente americano Donald Trump voltar a defender publicamente o controle dos Estados Unidos sobre a Groenlândia, considerada estratégica do ponto de vista militar e rica em recursos minerais. A Casa Branca já afirmou que avalia a possibilidade de comprar a ilha, sem descartar uma eventual intervenção militar.
Colônia dinamarquesa até 1953, a Groenlândia conquistou autonomia 26 anos depois e vem estudando afrouxar seus laços com a Dinamarca, inclusive por meio da independência total. A grande maioria de sua população de quase 60 mil habitantes, bem como os partidos políticos, afirma não querer estar sob o controle dos Estados Unidos e insiste que os groenlandeses devem decidir seu próprio futuro — ponto de vista repetidamente contestado por Trump.
A chancelaria russa também criticou a Aliança Atlântica por, segundo Moscou, ignorar fóruns multilaterais existentes. Em nota divulgada na quarta-feira, a embaixada da Rússia em Bruxelas, sede da Otan, afirmou que a organização optou por “acelerar a militarização do Norte” em vez de atuar de forma construtiva em instâncias como o Conselho Ártico, usando como justificativa uma ameaça “imaginária” de Moscou e Pequim.





