Militares europeus chegam à Groenlândia em meio às tensões com EUA
Alemanha declarou que missão durará até sábado e tem propósito de 'explorar opções para garantir a segurança diante das ameaças'
Diversos países europeus começaram a enviar nesta quinta-feira, 15, tropas militares para a Groenlândia em meio às ameaças dos Estados Unidos de uma possível tomada do território. França, Suécia, Alemanha, Noruega e Países Baixos mandaram combatentes para uma operação, junto da Dinamarca, chamada de “Arctic Endurance”, que tem por objetivo preparar as Forças Armadas para exercícios futuros no Ártico.
Embora tenha governo autônomo, a Groenlândia permanece sob soberania dinamarquesa e, portanto, protegida pelo guarda-chuva da Otan, a principal aliança militar ocidental.
Duas aeronaves dinamarquesas pousaram na quarta-feira 14 no território com reforços militares. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou, nesta quinta-feira, que uma primeira equipe “já está no terreno” e anunciou que mandará mais “meios terrestres, aéreos e marítimos” nos próximos dias.
O Ministério da Defesa alemão declarou que a missão durará até sábado e tem o propósito de “explorar opções para garantir a segurança diante das ameaças russas e chinesas no Ártico”.
A quantidade de tropas enviadas não é significativa. Os Países Baixos, por exemplo, disponibilizarão apenas um militar para a missão.
O movimento ocorre após semanas de declarações do presidente americano, Donald Trump, classificando a ilha como “vital” para os interesses estratégicos dos Estados Unidos e sugerindo que Washington deveria controlar o território para impedir um avanço de Rússia ou China no Ártico.
O anúncio também coincide com reuniões diplomáticas em Washington entre autoridades dinamarquesas, groenlandesas e representantes do governo americano, destinadas a discutir o futuro da região ártica e a tentativa de reduzir tensões. Recentemente, líderes de ambos os territórios europeus reafirmaram que a ilha “não está à venda”.
Após o encontro — que contou com a presença do vice-presidente dos EUA, JD Vance, e do secretário de Estado, Marco Rubio — um alto representante dinamarquês afirmou que persiste um “desacordo fundamental” com Trump sobre o futuro da Groenlândia.
A ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, afirmou que o território pretende ampliar a cooperação com Washington, mas deixou claro que não aceita ser controlado pelos Estados Unidos.
Colônia dinamarquesa até 1953, a Groenlândia conquistou autonomia 26 anos depois e vem estudando afrouxar seus laços com a Dinamarca, inclusive por meio da independência total. A grande maioria de sua população de quase 60 mil habitantes, bem como os partidos políticos, afirma não querer estar sob o controle dos Estados Unidos e insiste que os groenlandeses devem decidir seu próprio futuro — ponto de vista repetidamente contestado por Trump.






