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Sob pressão por falta de compromisso global, COP26 começa em Glasgow

'Se fracassarmos, nossos filhos não nos perdoarão. Nos julgarão com amargura e terão razão', disse Boris Johnson em discurso de abertura

Por Da Redação
Atualizado em 3 nov 2021, 16h19 - Publicado em 1 nov 2021, 12h14

Um dia depois de grandes economias do G20 fracassarem em se comprometer com um prazo de 2050 para cessar emissões líquidas de carbono, começaram nesta segunda-feira na cidade escocesa de Glasgow as discussões oficiais da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP26. A marca coloca ainda mais pressão sobre a falta de compromisso para redução das emissões de gases causadores do efeito estufa, um imperativo para conter o aumento da temperatura global.

O debate foi aberto pelo premiê britânico, Boris Johnson, que apelou para que a cúpula seja o “início do fim” da luta contra a crise climática global.

“Se fracassarmos, nossos filhos não nos perdoarão. Nos julgarão com amargura e terão razão”, disse o primeiro-ministro às autoridades. “Estamos a um minuto da meia-noite e precisamos agir mais. Se não fizermos nada hoje, será muito tarde para os nossos filhos fazerem algo no futuro”. 

Em tom leve, embora alarmista, o anfitrião do evento também comparou o desafio dos líderes globais com o enfrentados por James Bond, o fictício espião escocês da saga de filmes e livros 007. “A tragédia é que isso não é uma película. A contagem para o dia do fim do mundo é real, e o relógio está rodando”, disse o premiê britânico.

“Com dois graus mais, colocaremos em risco a distribuição de alimentos. Com três graus mais, haverá mais incêndios descontrolados e cinco vezes mais seca. Com quatro graus mais, daremos adeus a cidades como Miami e Alexandria”, completou.

O discurso de Johnson foi o primeiro entre os líderes globais e pronunciamentos inaugurais continuarão nesta terça-feira e servirão para dar um impulso político à reunião de cúpula, que tem como objetivo manter a meta de limitar o avanço das temperaturas em mais 1,5 graus no fim do século, na comparação com o período pré-industrial.

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Na tradicional foto dos líderes faltarão nomes importantes, como o presidente Jair Bolsonaro, além do líder da maior potência emissora de gases de efeito estufa, o chinês Xi Jinping, ou outros como o russo Vladimir Putin e o mexicano Andrés Manuel López Obrador.

Apesar de estar na Europa desde sexta-feira e ter participado do encontro do G20 em Roma, Bolsonaro não consta na lista de oradores da COP26 entre presidentes e primeiros-ministros.

As negociações já começaram entre técnicos, mas será a partir da próxima semana que vem, a segunda e última da COP26, prevista para acabar em 12 de novembro, que os ministros ligados à área ambiental darão impulso final à conferência da ONU.

Objetivo e ponto de partida

O objetivo principal da cúpula é elaborar um acordo, entre outros pontos, para elevar a ambição pela redução das emissões de carbono e garantir transferências financeiras dos países ricos para nações em desenvolvimento.

Como ponto de partida, existem dois consensos unânimes: o primeiro, de que as coisas estão dando errado para atingir a meta; a segunda, que ainda dá tempo de mudar o curso. Embora os presságios que precedem a reunião não sejam promissores, os organizadores da COP26 tentaram soar otimistas em seus discursos na abertura da conferência.

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“Se agirmos agora e juntos, podemos proteger nosso amado planeta. Portanto, vamos nos reunir nessas duas semanas e cumprir o que Paris prometeu, Glasgow consegue”, disse o presidente da COP26, o britânico Alok Sharma.

Para a secretária-executiva da ONU para Mudanças Climáticas, Patricia Espinosa, “o sucesso na COP é absolutamente possível”, embora  “seja necessária mais ambição de mais países, principalmente dos grandes emissores do G20, responsáveis por quase 80% das emissões globais”. 

Poucos dias antes do início da COP, a ONU alertou que os compromissos atuais dos países para cortar emissões de gases causadores do efeito estufa deixam o planeta no caminho de um “catastrófico” aumento da temperatura do planeta em 2,7 graus Celsius. 

“Para ter a chance de limitar o aquecimento global a 1,5 grau, temos oito anos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa quase pela metade. O relógio está correndo ruidosamente”, enfatizou a diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Inger Andersen, após a divulgação do relatório “Emissions Gap Report”. 

Para atingir o objetivo de minimizar os danos, e limitar o aumento da temperatura neste século para os patamares desejados, o relatório afirma que seria necessária uma redução anual adicional, acima dos compromissos atuais, de 28 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente, medida usada para quantificar a massa dos gases de efeito estufa a partir do potencial de aquecimento. O relatório, no entanto, estima que, na taxa atual, as emissões globais serão de 60 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente.

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Diante desse cenário, os compromissos assumidos por 49 países, em conjunto com a União Europeia (UE), para chegar a um estado de neutralidade de carbono — zero emissões líquidas de CO2 — poderiam fazer “uma grande diferença” e reduzir o aquecimento global em mais 0,5 grau Celsius.

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