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Sob governo Trump, agentes do ICE abriram fogo contra civis mais de 15 vezes, revela ONG

Dados apontam aumento de uso de força letal e não letal por agentes federais em operações na nova ofensiva anti-imigração

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 jan 2026, 17h38 • Atualizado em 9 jan 2026, 19h03
  • Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos têm se envolvido em um número crescente de tiroteios nos últimos meses, em meio ao endurecimento das ações de fiscalização promovidas pelo governo de Donald Trump, revelou um levantamento divulgado nesta sexta-feira, 9. Dados compilados pela organização jornalística The Trace, especializada em violência armada, indicam que agentes do ICE estiveram envolvidos em ao menos 16 episódios com disparos desde o início da nova fase da ofensiva migratória.

    A organização mapeou situações em que agentes atiraram contra pessoas ou apontaram armas durante operações relacionadas à imigração. Até 9 de janeiro, foram identificados 29 incidentes no total, incluindo os 16 tiroteios. Desde julho, quando ocorreu o primeiro caso sob a atual administração, quatro pessoas morreram e outras sete ficaram feridas.

    A The Trace ressaltou que os números podem estar subestimados, já que tiroteios envolvendo autoridades migratórias nem sempre são divulgados publicamente.

    Além dos disparos com armas de fogo, o levantamento registrou 13 ocorrências com uso de “armas menos letais”, como balas de borracha e projéteis de pimenta — dez delas durante protestos. Entre os feridos, estão dois pastores atingidos por balas de pimenta enquanto conduziam orações em manifestações na Califórnia e em Illinois.

    O registro mais recente ocorreu na quarta-feira 7,  quando agentes federais mataram uma mulher durante uma grande operação de fiscalização migratória em Minneapolis, no estado de Minnesota. A deputada democrata Ilhan Omar afirmou que a vítima atuava como observadora legal das ações do ICE na cidade, que recebeu reforço de agentes após denúncias de fraude envolvendo residentes somalis.

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    No dia seguinte, dois homens foram baleados por agentes federais nos arredores de um hospital em Portland. A polícia local informou que ambos foram hospitalizados, sem detalhar o estado de saúde. Segundo fontes citadas pela imprensa, um deles foi atingido na perna e o outro no tórax. Em comunicado, o Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou que agentes da patrulha de fronteira tentaram abordar um veículo à procura de um suspeito de ligação com uma gangue venezuelana e que dispararam após o motorista tentar atropelá-los.

    + Renee Nicole Good: quem era a mulher morta por agente do ICE nos EUA

    Operações ao redor dos EUA

    O DHS anunciou nesta semana uma operação “extraordinária” na região de Minneapolis, com cerca de 2.000 agentes. A iniciativa integra a estratégia nacional de repressão migratória, que começou em Los Angeles, em junho, e depois se expandiu para Washington, Chicago, Memphis, Portland, Charlotte, além de Nova Orleans.

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    Em paralelo, o número de detidos disparou. Em menos de um ano, a população nos centros do ICE aumentou quase 50%, chegando a cerca de 69 mil pessoas. No mesmo período, mais de 352 mil imigrantes foram presos e deportados. A superlotação tornou-se regra, com unidades operando acima da capacidade contratada.

    Segundo dados da ONG American Immigration Council, o primeiro ano do segundo mandato de Trump já é mais letal do que 2020, quando as mortes nos centros de detenção explodiram devido à pandemia de Covid-19. A entidade atribui o atual aumento de óbitos a uma combinação de superlotação, más condições dos centros, negligência médica, crise de saúde mental e violência armada.

    Em 2025, 32 pessoas morreram sob custódia do ICE — o maior número em mais de duas décadas, igualando o recorde anterior de 2004. Nesse contexto, os 16 tiroteios envolvendo agentes de imigração reforçam o quadro de escalada de violência associado às operações federais.

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