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‘Síndrome de Havana’: o que é e por que mistério voltou à tona

Investigação do '60 Minutes' e The Insider aponta ligação com arma de energia secreta, desenvolvida na antiga URSS e apreendida pelos EUA em 2024

Por Amanda Péchy 10 mar 2026, 12h10 • Atualizado em 10 mar 2026, 12h23
  • Em 2016, vários funcionários da embaixada dos Estados Unidos na capital cubana, Havana, relataram terem ficado doentes, com sintomas que incluíam enxaquecas, náuseas, lapsos de memória e tonturas. Desde então, uma série de outros diplomatas e espiões americanos afirmaram terem sofrido da mesma enfermidade.

    A misteriosa condição, batizada “Síndrome de Havana”, levantou uma série de culpados ao longo dos anos, mas o tema recentemente voltou à tona devido a uma investigação do programa 60 Minutes, da emissora americana CBS, em parceria com o site russo independente The Insider. Publicada na segunda-feira 9, a reportagem afirma que militares dos Estados Unidos testaram uma arma de energia secreta capaz de causar lesões cerebrais, tecnologia que poderia estar ligada à doença que abalou diplomatas em Cuba.

    Lesões e ataques sucessivos

    De acordo com a investigação, o equipamento foi testado por mais de um ano em um laboratório militar dos Estados Unidos. Experimentos com ratos e ovelhas teriam mostrado lesões semelhantes às observadas em pessoas afetadas pela síndrome, que relataram sintomas como dores intensas na cabeça, perda de equilíbrio, problemas de visão, zumbido nos ouvidos, sangramentos e dificuldades cognitivas. Os pesquisadores ouvidos pela CBS afirmaram que as lesões poderiam ser causadas por pulsos de micro-ondas com capacidade para interferir na atividade elétrica do cérebro.

    A reportagem indica que a tecnologia, desenvolvida na antiga União Soviética, teria sido apreendida pelos Estados Unidos em 2024, por meio de uma rede criminosa russa que vendia armas. A operação teria sido financiada pelo Departamento de Defesa americano, que gastou cerca de US$ 15 milhões, após funcionários do governo e familiares relatarem ataques. A arma, afirma o programa 60 Minutes, seria portátil e silenciosa, capaz de emitir pulsos de energia eletromagnética a centenas de metros e atravessar paredes e janelas.

    + Kremlin nega estar por trás da ‘Síndrome de Havana’ que adoeceu diplomatas

    A investigação descobriu que centenas de episódios com a suposta arma foram registrados ao longo dos anos, inclusive em áreas próximas à Casa Branca. Um relato da esposa de um funcionário do Departamento de Justiça dos Estados Unidos descreveu como ela teria ficado ferida após seu uso na Europa, quando à época foi detectada a presença de um agente de inteligência russo nas proximidades.

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    “Simplesmente perfurou minhas orelhas, entrou pelo lado esquerdo, senti como se tivesse entrado pela janela, direto na minha orelha esquerda. Imediatamente senti uma sensação de plenitude na cabeça e uma dor de cabeça lancinante”, disse ela em entrevista ao 60 Minutes.

    Ela passou por várias cirurgias para reparar problemas nos ouvidos e no crânio, segundo o programa, que afirmou que outras vítimas ficaram com sequelas permanentes.

    “Improvável”

    Anteriormente, o Insider, com sede em Riga, capital da Letônia, já havia informado que membros de um braço da Diretoria Principal de Inteligência da Rússia (GRU), conhecida como Unidade 29155, haviam sido posicionados nos locais onde ocorreram incidentes de saúde envolvendo funcionários do governo americano. Os oficiais teriam recebido recompensas e promoções por trabalhos relacionados ao desenvolvimento de “armas ultrassônicas não letais”.

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    O Insider acrescentou que o uso da doença como arma ocorreu pela primeira vez em 2014, em Frankfurt, na Alemanha, “quando um funcionário do governo dos Estados Unidos no consulado local foi nocauteado por algo semelhante a um forte feixe de energia”.

    Apesar disso, avaliações divulgadas pelo governo dos Estados Unidos em 2023 afirmaram ser “muito improvável” que os casos tenham sido causados por ataques de um país adversário. O 60 Minutes rebateu: segundo ex-agentes de inteligência, autoridades americanas podem ter minimizado o problema para evitar uma crise diplomática e possíveis consequências políticas.

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