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Sem reconhecer Biden, Putin diz que trabalhará com qualquer líder dos EUA

Diferentemente de outros líderes, que já parabenizaram democrata, presidente russo afirmou que eleição 'deve ser reconhecida pelo adversário' ou tribunais

Por Da Redação Atualizado em 23 nov 2020, 15h01 - Publicado em 23 nov 2020, 14h47

O presidente russo, Vladimir Putin, disse no domingo 22 que está pronto para trabalhar com qualquer líder dos Estados Unidos e vai parabenizar qualquer um que se comprove vencedor das eleições presidenciais – mas apenas quando as formalidades legais forem resolvidas. Diferentemente de governantes de França, Alemanha e Reino Unido, Putin é um dos poucos líderes mundiais que, assim como Jair Bolsonaro, ainda não se manifestou sobre a vitória do presidente eleito Joe Biden.

O atual presidente, Donald Trump, ainda contesta a vitória do democrata, incluindo através de ações judiciais, por acusações de fraude, sem evidências. O silêncio de Putin até o momento contrasta com o cenário de 2016. Quando Trump foi eleito, o líder russo demorou apenas poucas horas para telefonar e parabenizar o magnata.

“Trabalharemos com qualquer pessoa que tenha a confiança do povo americano”, disse Putin, em comunicado à TV estatal russa, completando que o vencedor deve ser reconhecido pelo partido adversário. Caso contrário, o resultado final da eleição deve ser confirmado de forma legítima e legal pelos tribunais, afirmou.

O anúncio vai de acordo com um comentário anterior do Kremlin de que esperaria pelos resultados oficiais da eleição presidencial americana antes de se manifestar sobre a questão.

Putin é um dos poucos líderes mundiais que ainda não parabenizaram o democrata por sua eleição, mesmo após o resultado ter sido anunciado pela imprensa americana há mais de duas semanas e depois da recontagem de votos na Geórgia, que confirmaram Biden como vencedor.

A Rússia é acusada pelas agências de inteligência americanas de intervir em 2016 para ajudar a eleger Trump, mas relações exteriores entre os governos russo e americano estão tensas. Os Estados Unidos impuseram sanções adicionais ao país, além de abandonar alguns tratados de controle de armas que Moscou deseja renegociar. Nesta segunda-feira, 23, os EUA deixaram unilateralmente um tratado militar.

Contudo, Moscou teme um aumento na pressão com sanções durante um governo Biden, devido a violações dos direitos humanos no país. Além disso, Trump foi bom para o presidente russo em um sentido mais geral, priorizando o comércio aos valores e defendendo que os Estados Unidos não devem ter o papel de “polícia global”. Isso se alinha com a visão de Putin de um mundo multipolar, com o poder americano reduzido.

Com o republicano fora do governo, Putin terá que lidar com um presidente internacionalista tradicional. Quando questionado se a mudança poderia prejudicar as relações entre os países, contudo, ele disse que “não há nada a prejudicar. Elas já estão arruinadas”.

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