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EUA oficializam saída de tratado militar com Rússia

Acordo 'Céus Abertos', abandonado unilateralmente por Washington, possibilitava reconhecimento aéreo entre países para supervisionar movimentos militares

Por Da Redação Atualizado em 23 nov 2020, 20h07 - Publicado em 23 nov 2020, 13h18

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, anunciou nesta segunda-feira, 23, a saída oficial do país do tratado militar “Céus Abertos” com a Rússia e países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

“Hoje, mediante devido aviso prévio, a saída dos Estados Unidos do tratado ‘Céus Abertos’ está efetivada. A América está mais segura por conta disso, à medida que Rússia continua sem cumprir as suas obrigações”, disse Pompeo em sua conta no Twitter.

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O acordo, negociado em 1992 após o fim da Guerra Fria, permitia que as 35 nações participantes, incluindo os Estados Unidos e a Rússia, conduzissem sobrevoos de reconhecimento dentro do território dos outros países que ratificaram o acordo. Cada governo tem uma cota de quantos voos pode permitir em seu território e quantos pode conduzir em solo estrangeiro.

No entanto, Washington acusa a Rússia de violar o texto ao não permitir sobrevoos em determinadas áreas, como em Kaliningrado e na fronteira com a Geórgia – duas regiões sensíveis à Moscou, uma vez que Kaliningrado fica perto do Mar Báltico e onde há uma intensa presença militar russa, incluindo submarinos nucleares. A fronteira com a Geórgia, por sua vez, fora palco do conflito em 2008.

A saída americana em si pode não ter incomodado Moscou, uma vez que o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, se mostrou mais interessado em manter a vigilância na Europa. No início de novembro, Lavrov demandou que os membros da OTAN se mantivessem no acordo e que não compartilhassem nenhum dado obtido com os Estados Unidos.

O governo do republicano Donald Trump, que se encerra em janeiro de 2021, foi marcado por ataques ao multilateralismo. Sua política externa encerrou a participação dos Estados Unidos no Acordo de Paris, que busca o combate à mudança climática, no Acordo Nuclear com o Irã, que levou ao aumento de tensões entre os dois países, e o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF), que proibia a construção e desenvolvimento de armas nucleares de médio alcance.

Com a chegada do presidente eleito Joe Biden à Casa Branca, é certo que os Estados Unidos irão voltar ao acordo climático, mas é uma incógnita como o país lidará com a Rússia.

Putin, por sua vez, ao ser perguntado no domingo se a demora de Moscou a reconhecer a vitória de Biden iria piorar as relações entre a Casa Branca e o Kremlin, disse “não há nada para arruinar. Elas já estão arruinadas”.

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