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Rússia questiona confiabilidade dos EUA em conversas sobre Ucrânia após ataques ao Irã

Meios de comunicação estatais russos ponderaram se tentativas de acordos com governo Trump terminam sempre em ataques

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 mar 2026, 15h03 • Atualizado em 11 mar 2026, 15h17
  • A escalada da guerra no Oriente Médio, desencadeada por ataques norte-americanos e israelenses contra o Irã, aliado da Rússia, provocou forte reação entre autoridades russas, que passaram a questionar a confiabilidade dos Estados Unidos nas negociações para encerrar a guerra na Ucrânia. Como a ofensiva ocorreu enquanto Washington e Teerã estavam em negociações, os meios de comunicação estatais russos questionaram se as tentativas de acordos com o governo do presidente Donald Trump terminam sempre em ataques.

    Um artigo publicado no jornal pró-Kremlin Moskovsky Komsomolets afirma que Trump estaria “eliminando aliados da Rússia um a um” enquanto promete cooperação com Moscou. O colunista Dmitry Popov, autor do texto, sugeriu que a Rússia deveria abandonar ilusões sobre uma parceria estratégica com Washington.

    O analista da política externa russa que aconselha o Kremlin e diplomatas russos, Fyodor Lukyanov, também declarou em uma rádio russa que a campanha militar contra o Irã mostra um novo tipo de relação global, na qual um negociador pode se tornar alvo de ataque a qualquer momento.

    A guerra no Oriente Médio afetou diretamente o calendário das negociações entre Estados Unidos, Rússia e Ucrânia. Uma nova rodada de conversas estava prevista para ocorrer na Turquia nesta semana, mas foi adiada a pedido de Washington, segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

    Apesar da Rússia ter condenado os ataques contra o aliado Irã, a escalada do conflito pode acabar trazendo vantagens estratégicas para Moscou na guerra contra a Ucrânia.

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    O fechamento do Estreito de Ormuz anunciado por Teerã praticamente paralisou a circulação de embarcações comerciais na rota estratégica, por onde escoa cerca de 20% de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo.

    A medida já provocou alta nos preços globais de petróleo e gás — principais fontes de receita da Rússia. A interrupção parcial do comércio energético na região pode levar grandes importadores, como China e Índia, a ampliar a compra de petróleo russo.

    O conflito no Oriente Médio também pode ter impacto indireto na guerra na Ucrânia. Um envolvimento militar mais profundo dos Estados Unidos na região pode reduzir a quantidade de armamentos disponíveis para Kiev, especialmente sistemas de defesa aérea.

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    Para Moscou, uma possível redistribuição dos recursos militares dos EUA e de seus aliados pode aliviar a pressão sobre suas forças no front ucraniano.

    Em paralelo, Trump afirmou nesta semana que seu governo irá “suspender algumas sanções relacionadas ao petróleo para reduzir preços”. Embora não tenha especificado quais sanções serão suspensas, fontes ouvidas pela agência Reuters afirmaram que Washington está considerando aliviar as sanções ao petróleo russo e liberar estoques emergenciais de petróleo bruto.

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