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Como ataques ao aliado Irã beneficiam Rússia na guerra contra Ucrânia

Ofensiva dos EUA e Israel contra o Irã foi criticada por Moscou, mas a escalada do conflito pode trazer vantagens estratégicas para o país

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 mar 2026, 16h09 • Atualizado em 5 mar 2026, 22h34
  • Os ataques americanos e israelenses ao Irã foram criticados pela Rússia, aliada da nação persa. No entanto, a escalada do conflito no Oriente Médio pode acabar trazendo vantagens estratégicas para Moscou na guerra contra a Ucrânia.

    O Kremlin interpreta a ofensiva como mais um exemplo do que autoridades russas descrevem como intervenções militares do Ocidente para derrubar governos adversários. A leitura reforça a narrativa defendida pelo presidente Vladimir Putin de que o país precisa agir preventivamente para proteger sua soberania.

    Na quarta-feira, a Rússia acusou os Estados Unidos de usar a “ameaça imaginária” do Irã como pretexto para derrubar a ordem constitucional. Putin classificou os ataques contra o Irã e a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, como uma “violação cínica de todas as normas de moralidade humana e do direito internacional”, segundo a agência de notícias russa Tass.

    Moscou mantém uma relação estratégica com Teerã, especialmente na área militar. O Irã é um dos principais fornecedores de drones utilizados pela Rússia na guerra na Ucrânia, o que tem aprofundado a cooperação entre os dois países nos últimos anos. Apesar da parceria entre os países, a Rússia não deu sinais de que pretende intervir militarmente em defesa do Irã.

    Benefícios econômicos

    Na segunda-feira, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e afirmou que qualquer navio que tentasse cruzálo seria incendiado.

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    O bloqueio anunciado por Teerã praticamente paralisou a circulação de embarcações comerciais na rota estratégica, por onde escoa cerca de 20% de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo. O tráfego de petroleiros na rota caiu 90% em apenas uma semana, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 4, pela consultoria de análise marítima Kpler.

    A medida já provocou alta nos preços globais de petróleo e gás — principais fontes de receita da Rússia. A interrupção parcial do comércio energético na região pode levar grandes importadores, como China e Índia, a ampliar a compra de petróleo russo.

    “Quando um bom quinto do suprimento global de petróleo e cerca de um quarto do comércio marítimo são efetivamente bloqueados, isso é uma benção para a Rússia”, disse Sergey Vakulenko, membro sênior do Carnegie Russia Eurasia Centre e principal especialista no setor de energia da Rússia, ao jornal britânico The Guardian.

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    Efeitos na guerra

    O conflito no Oriente Médio também pode ter impacto indireto na guerra na Ucrânia. Um envolvimento militar mais profundo dos Estados Unidos na região pode reduzir a quantidade de armamentos disponíveis para Kiev, especialmente sistemas de defesa aérea.

     

    O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, alertou na segunda-feira que a prioridade dada à segurança de aliados no Oriente Médio pode dificultar o envio de mísseis Patriot fabricados nos EUA e outros equipamentos militares para Kiev.

    “Podemos ter dificuldades em adquirir mísseis e armas para defender nosso espaço aéreo”, disse o presidente ucraniano ao jornal italiano Corriere della Sera, acrescentando que ataques do Irã a Israel em junho do ano passado já haviam atrasado algumas entregas. “Os americanos e seus aliados no Oriente Médio podem precisar deles para autodefesa.”

    Para Moscou, uma possível redistribuição dos recursos militares dos EUA e de seus aliados pode aliviar a pressão sobre suas forças no front ucraniano.

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