Rússia anuncia nova rodada de negociações com Ucrânia e EUA na próxima semana
Conversas trilaterais em Genebra dão continuidade a discussões que iniciaram em janeiro para encerrar guerra, mas território continua sendo impasse
A Rússia anunciou nesta sexta-feira, 13, uma nova rodada de negociações na próxima semana com representantes da Ucrânia e dos Estados Unidos, para tentar encontrar uma solução para o conflito com Kiev, que em breve completará quatro anos.
“O próximo ciclo de negociações acontecerá nos dias 17 e 18 de fevereiro em Genebra, também em formato tripartite entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, à agência de notícias estatal Ria Novosti.
Os dois países em guerra já participaram de duas rodadas de negociações em Abu Dhabi, com mediação de Washington, mas não concretizaram um avanço decisivo, já que Moscou e Kiev mantêm divergências importantes no delicado tema territorial.
Na última rodada, que ocorreu entre quarta e quinta-feira passadas, as nações em conflito concordaram com sua primeira troca de prisioneiros em vários meses, embora, segundo os americanos, ainda haja muito trabalho pela frente para alcançar um acordo que ponha fim à guerra.
As negociações são a mais recente tentativa nos esforços diplomáticos para deter o conflito mais sangrento da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com centenas de milhares de mortos, milhões de pessoas obrigadas a fugir de suas casas e grande parte do leste e do sul da Ucrânia devastados.
Impasse
Durante as negociações, o país de Vladimir Putin permanece firme em suas exigências de concessões, que a Ucrânia rejeita por considerá-las equivalentes a uma rendição.
Como condição prévia para qualquer acordo, Moscou quer que Kiev retire suas tropas de toda a região de Donetsk, incluindo uma linha de cidades fortificadas consideradas uma das defesas mais fortes dos ucranianos. Eles ainda ocupam cerca de 17% da área.
O país de Volodymyr Zelensky, por sua vez, defende que o conflito deve ser congelado ao longo das linhas de frente atuais, rejeita qualquer retirada unilateral de suas forças e busca garantias de segurança ocidentais sólidas para dissuadir a Rússia de retomar a ofensiva após qualquer cessar-fogo. Kiev também quer o controle de Zaporizhzhia, a maior usina nuclear da Europa, que foi tomada pelos russos no início do conflito.
A Rússia ocupa cerca de 20% do território nacional da Ucrânia, incluindo a Crimeia e partes da região leste de Donbas. Analistas dizem que as foras russas ganharam cerca de 1,5% do território ucraniano desde o início de 2024.
No início desta semana, Zelensky também disse que havia aceitado uma proposta dos Estados Unidos para uma rodada de conversas bilaterais em Miami nos próximos dias. De acordo com reportagem recente do jornal britânico Financial Times, o presidente Donald Trump deu até junho para que a guerra fosse encerrada e, pressionado, o líder ucraniano estaria planejando anunciar eleições e um referendo sobre um possível acordo de paz no final de fevereiro. Ele, no entanto, negou as informações.





