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Ricardo Salles sem clima na reunião do clima da ONU

O ministro do Meio Ambiente foi recebido com vaias no palco de evento em Salvador, que chegou a cancelar em maio

Por Da Redação - Atualizado em 21 ago 2019, 15h26 - Publicado em 21 ago 2019, 14h45

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi vaiado efusivamente nesta quarta-feira, 21, quando subiu ao palco da Semana Latino-Americana e Caribenha sobre Mudança do Clima, organizada pelas Nações Unidas em Salvador, Bahia. A realização da conferência no Brasil chegou a ser cancelada pelo próprio Salles, em maio passado. Pressionado, voltou atrás.

Os protestos incluíram faixas e palavras de ordem contra o ministro e a política ambiental do governo de Jair Bolsonaro. Apenas uma minoria dos participantes aplaudiu Salles. As vaias sinalizaram descontentamento do público do seminário com a retórica do atual governo sobre a mudança climática e o aumento desenfreado do desmatamento na Amazônia registrado pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe).

Crítica de Salles, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) postou em seu Twitter um vídeo do momento da vaia.

A posição do atual governo gerou críticas no exterior e ocasionou a retirada do investimento dos governos alemão e norueguês no Fundo Amazônia, de projetos de preservação da região. A revista britânica The Economist dedicou uma reportagem de capa ao tema do desmatamento no Brasil e tachou o presidente brasileiro como ‘sem dúvida, o chefe de Estado mais perigoso em termos ambientais do mundo’.

Acarajé

A Semana do Clima debaterá os principais temas da agenda da Conferência do Clima da ONU (COP 25), em outubro, que o governo brasileiro negou-se a sediar e cuja organização foi abraçada rapidamente pelo Chile. O evento de Salvador faz parte da  Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) e foi cancelado pelo Ministério do Meio Ambiente, em maio, sob os argumentos de que causaria “constrangimento” ao governo e custaria 500 milhões de reais. O ministro Ricardo Salles foi além ao explicar sua decisão ao portal G1.

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“Vou manter um encontro que vai preparar um outro, que não vai acontecer mais no Brasil, por quê? Não faz o menor sentido, vai para o Chile! Vou fazer uma reunião para a turma ter oportunidade de fazer turismo em Salvador? Comer acarajé?”.

A repercussão negativa da frase levou Salles a reconsiderar a realização do evento no Brasil. A organização da Semana do Clima criaria um novo constrangimento se não o convidasse para discursar.

Manifestantes erguem cartazes em protesto contra a presença do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles e a agenda do governo Bolsonaro – 21/08/2019 AFP/Youtube

 

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