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Regime Maduro anuncia recompensa de R$ 615 mil pela captura de González

Considerado líder legítimo da Venezuela por parte do mundo, opositor fugiu para a Espanha após eleições, mas diz que voltará a Caracas para tomar posse

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 jan 2025, 11h05 • Atualizado em 3 jan 2025, 15h24
  • A ditadura da Venezuela anunciou, na quinta-feira, 2, uma recompensa de 100.000 dólares (cerca de 615.800 reais, na cotação atual) por informações que levem à captura do candidato da oposição Edmundo González Urrutia, que, segundo projetos internacionais e independentes de checagem de votos, derrotou o presidente Nicolás Maduro nas eleições de julho de 2024. Desde setembro, o ex-diplomata de 75 anos está exilado na Espanha, mas reiterou diversas vezes que voltará a Caracas para ascender ao cargo na data da posse, na próxima sexta-feira, 10 de janeiro.

    Nas redes sociais, a polícia venezuelana publicou uma foto de González com a palavra “procurado”. Autoridades judiciais em Caracas disseram à AFP que a mesma imagem será exibida em aeroportos e postos de controle da polícia em todo o país.

    Handout image released by Venezuela's Scientific, Penal, and Criminalistic Investigation Service Corps (CICPC) through their Instagram account showing a picture of exiled opposition candidate Edmundo Gonzalez Urrutia with the word
    Corpo de Serviços de Investigação Científica, Penal e Criminalística da Venezuela (CICPC) divulga cartaz de ‘Procurado’ para capturar o opositor Edmundo González Urrutia. 02/01/2025 – (CICPC/AFP)

    A Espanha concedeu asilo a González oficialmente em 20 de dezembro, depois que o regime de Maduro anunciou acusações de conspiração e extorsão, entre outras, contra o opositor.

    O Conselho Nacional Eleitoral e o Tribunal Superior de Justiça, ambos cooptados por forças pró-Maduro, declararam o líder bolivariano reeleito para um terceiro mandato de seis anos na votação de julho. A oposição, porém, contestou o resultado oficial, que não foi respaldado com evidências. Já a Plataforma Unitária Democrática (PUD), coalizão de onze partidos que se uniram contra o atual regime no pleito com González como porta-estandarte, divulgou o que diz ser 80% das atas eleitorais, que mostram que seu candidato venceu com folga.

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    O governo tem resistido à intensa pressão interna e no exterior para divulgar os resultados desagregados, por seção eleitoral, da votação que comprovem sua suposta vitória. Uma onda de protestos tomou as ruas de toda a Venezuela após a eleição e sofreram intensa repressão: em meio a confrontos com a polícia, 28 pessoas morreram, 200 ficaram feridas e mais de 2.400 foram presas.

    Três dos detidos morreram na prisão, e quase 1.400 foram posteriormente soltos.

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    Maduro foi escolhido a dedo pelo falecido ícone socialista Hugo Chávez para sucedê-lo após sua morte em 2013. Desde então, ele presidiu sobre a deterioração do país rico em petróleo, agora em ruínas econômicas, e foi acusado de agir cada vez mais como um ditador. Nos últimos 14 anos, mais de 7,7 milhões de pessoas deixaram o país, enquanto a economia encolheu cerca de 80%.

    Apenas um punhado de nações, incluindo a Rússia, a China, e o Irã, clube dos autocratas que ajudam a manter a economia da Venezuela viva, ainda que por aparelhos, reconheceram Maduro como o vencedor da eleição de julho. Os Estados Unidos e a União Europeia, bem como uma série de países latino-americanos, reconheceram González como “presidente eleito”. O Brasil disse que não validará nenhum resultado sem que o governo venezuelano publique as atas e sugeriu novas eleições.

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