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Por que Helsinque é ‘território neutro’ e sede das cúpulas EUA-Rússia?

Desde a independência do controle sueco e russo, Finlândia evita criticar Rússia; país é parte da UE, próximo aos EUA, mas não é membro da Otan

Por Da redação 16 jul 2018, 13h08 | Atualizado em 3 jul 2026, 23h19
Por que Helsinque é ‘território neutro’ e sede das cúpulas EUA-Rússia? Priorize VEJA no Google

A cúpula entre Vladimir Putin e Donald Trump é a quarta deste tipo a ser realizada na capital finlandesa, Helsinque, em pouco mais de quatro décadas. A cidade foi palco das cúpulas entre Gerald Ford e Leonid Brezhnev (1975), George Bush e Mikhail Gorbachov (1990) e Bill Clinton e Boris Yeltsin (1997). 

A cúpula entre Donald Trump e Vladimir Putin, no entanto, é bastante singular: a União Soviética (URSS) é coisa de um passado quase antigo, o presidente americano está perdendo a simpatia dos aliados europeus de Yalta (a conferência que aconteceu após a II Guerra Mundial que marcou a divisão entre a Europa socialista e a Europa ocidental), a Rússia está envolvida em operações com ocidentais e a Finlândia nunca se mostrou tão próxima dos Estados Unidos e da Otan.

O encontro entre os chefes de Estado russo e americano, um dia depois da final do Copa do Mundo da Rússia 2018, visa a reanimar relações mais deterioradas do que nunca.

Apenas três horas de trem separam a antiga capital dos czares, São Petersburgo, na Rússia (ou uma hora de avião a partir dos países bálticos, membros da Otan), de Helsinque, que foi um verdadeiro ninho de espiões a partir dos anos 1950.

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A cidade foi, em várias ocasiões, um terreno neutro no qual os dirigentes americanos e soviéticos – antes dos russos – restabeleceram suas relações.

“A Finlândia tinha uma boa função durante a Guerra Fria, sua neutralidade consistia em traçar pontes [entre o Leste e o Ocidente] e marcar sua neutralidade nas relações entre as grandes potências”, recorda Teija Tiilikainen, diretora do Instituto Finlandês de Assuntos Internacionais.

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Em Helsinque, foram assinados, em 1º de agosto de 1975, por Gerald Ford e por Leonid Brezhnev, os acordos que levam o nome da cidade e que contribuíram para a política de distensão entre a URSS e os Estados Unidos.

Distensão

O texto impunha às grandes potências o respeito às fronteiras de 1945, tal como Roosevelt, Stalin e Churchill traçaram em Yalta. Também aludia, pela primeira vez, aos direitos humanos, uma crítica a Moscou, cujas prisões estavam repletas de dissidentes.

Em 1990, um ano antes da queda do bloco soviético, a Finlândia organizou a última cúpula URSS-Estados Unidos, com os presidentes Mikhail Gorbachov e George Bush.

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“A Finlândia sempre mostrou sua rejeição à lógica de blocos, que desempenhou um papel importante na distensão”, afirma uma fonte diplomática.

O último grande encontro entre um presidente russo e um americano em Helsinque foi em 1997, com Boris Yeltsin e Bill Clinton. A reunião terminou com vários avanços, como o controle de armamento e a abertura da Otan aos antigos satélites da União Soviética. Depois, a situação na Finlândia mudou radicalmente.

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A Finlândia havia pertencido à Suécia durante seis séculos, até 1809. Após esse período, tornou-se um grande ducado russo até 1917 (ano da Revolução Russa), tendo de enfrentar o Exército Vermelho durante o inverno de 1939-1940 e, novamente, entre 1941 e 1944.

Desde que se libertaram definitivamente do jugo soviético, os finlandeses tentam evitar que o urso russo desperte. Por essa razão, os dirigentes da Finlândia se recusaram a realizar qualquer tipo de crítica pública durante a Guerra Fria, uma posição controvertida e definida como “finlandismo”.

Papel de presidente

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Após a queda da URSS, o país se apressou em seguir rumo ao Ocidente e, em 1995, tornou-se membro da União Europeia. Não chegou ao ponto de se unir à Otan, mas passou a fazer parte de sua Associação para a Paz, em 1994.

A Finlândia não pode cortar os laços com seu poderoso vizinho russo – com quem compartilha 1.340 quilômetros de fronteira –, seu quinto maior parceiro comercial.

“Atualmente, a Finlândia mantém relações bastante boas com os russos e também mantém estreitas relações com os Estados Unidos, mais próximas que no passado”, diz Juhana Aunesluoma, diretor do Centro de Estudos Europeus da Universidade de Helsinque.

Nesse sentido, o papel do presidente Sauli Niinistö é fundamental: ele foi um dos primeiros a felicitar Donald Trump por sua eleição como presidente em 2016 e incluiu Vladimir Putin nas celebrações do centenário da independência finlandesa.

O país é atualmente um dos principais centros de inovação tecnológica da Europa, possui altíssimos níveis de desenvolvimento humano e qualidade de vida, baixa criminalidade, além de atrair centenas de milhares de turistas anualmente devido a suas paisagens, lagos e, durante o inverno, aurora boreal.

(Com AFP)

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