Oferta Mês dos Pais: Receba 4 Revistas em casa por 29,90

Por inflação, Argentina importa cédulas do Brasil

Decisão do governo Fernández de adiar emissão de notas de maior valor tem impacto crescente no sistema financeiro

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 abr 2023, 13h04
Por inflação, Argentina importa cédulas do Brasil Priorizar nos meus resultados Google

O Banco Central da Argentina foi obrigado a encomendar cédulas no exterior e importar do Brasil, Espanha, França, China e Malta por navio e avião. A decisão do governo de Alberto Fernández de adiar a emissão de notas de maior valor numa economia atingida por uma inflação de 104,3%  tem um impacto crescente no sistema financeiro.

O valor das cédulas argentinas está em uma mínima histórica neste século. A denominação mais alta, mil pesos, equivale a 4,4 dólares no mercado oficial, e pouco mais de dois no paralelo.

De acordo com o Banco Central argentino, o número de cédulas em circulação atingiu o recorde de 9,946 milhões de unidades em março. Quase um terço corresponde a cédulas de mil pesos, enquanto a restante maioria se divide em cédulas de 500 e 100. O órgão também não tem capacidade para destruir todos os papéis em mau estado ou para os guardar e essa função cabe aos diferentes bancos. Assim, acumulam milhões de notas de valor quase nulo (20 cêntimos).

O setor bancário afirma que a atual conjuntura é um “grande problema” porque aumenta os custos de armazenamento, transporte e logística das cédulas.

Continua após a publicidade

+ Alberto Fernández anuncia que não vai concorrer à reeleição na Argentina

“A situação das cédulas é um problema cujo estado crítico está aumentando, causando dificuldades em termos de logística, capacitação e altos custos financeiros”, diz uma carta da Associação de Bancos da Argentina (ABA) e da Associação de Bancos Argentino (Adeba), as duas maiores câmaras bancárias do país, enviada ao Banco Central.

Continua após a publicidade

Os bancos também citam o problema que enfrentam com caixas eletrônicos. A carga máxima padrão para cada um deles é de 8.000 notas. Se fosse preenchido apenas com mil cédulas, o dinheiro disponível seria de oito milhões de pesos (cerca de R$ 180 mil), valor insuficiente para fins de semana prolongados, por exemplo.

Porém, se as notas de 500 e 100 também estão incluídas, as cédulas se esvaziam ainda mais rápido. Então, os clientes vão passar de um caixa para o outro à procura delas ou recorrer aos supermercados e outras lojas que também contam com dinheiro em espécie.

Continua após a publicidade

A oposição ao governo se une aos bancos na demanda da aceleração da circulação da nota de 2 mil pesos, que já foi anunciada por Fernández. Eles também solicitam que sejam autorizadas cédulas outros de maior valor, de 5 mil e 10 mil pesos. O principal objetivo dos opositores é obrigar o Executivo a reconhecer a aceleração da inflação e criticar os gastos extras que insistir em papéis de baixo valor significa para os cofres públicos.

+ Inflação na Argentina passa de 100% pela primeira vez desde caos de 1990

Continua após a publicidade

“O custo de não imprimir notas de maior valor em 2020 e 2021 foi de 186 milhões de dólares”, afirmou Augusto Ardiles, ex-diretor da Casa da Moeda, ao jornal espanhol El País.

Ardiles destaca que o órgão argentino responsável pela fabricação de pesos tem capacidade de produção maior que o brasileiro, mesmo com uma população quatro vezes menor, mas ainda assim precisa importar. Segundo cálculos da agência Bloomberg, a Argentina fechou contratos de importação de 700 milhões de cédulas.

Continua após a publicidade

Esse fenômeno não é novo na Argentina e, em 2017, durante o governo de Mauricio Macri, os bancos já haviam alertado sobre a falta de espaço para guardar as cédulas. Porém, apesar do aumento das transações eletrônicas na pandemia, a situação piorou ainda mais desde então.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Fundo bege claro com textura sutil, uma linha escura vertical no canto esquerdo e um ícone de árvore azul escuro no canto superior direitoFundo bege claro com textura sutil, apresentando um logotipo de árvore azul escuro no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 88% OFF

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
OFERTA MÊS DOS PAIS

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 29,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).