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Parlamentar israelense é retirado à força do Knesset após criticar genocídio em Gaza

Offer Cassif citou falas do escritor David Grossman durante sessão parlamentar

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 ago 2025, 08h06 •
  • O parlamentar israelense Ofer Cassif foi retirado à força do pódio do Knesset, o Parlamento de Israel, durante sessão plenária na segunda-feira, 4, ao denunciar a crise humanitária em Gaza e o que definiu como genocídio contra os palestinos.

    Durante fala, Cassif citou declarações feitas pelo escritor israelense David Grossman em entrevista ao jornal italiano La Repubblica na semana passada, na qual o novelista reconheceu, “com imensa dor e coração quebrado”, que Israel comete “genocídio” em Gaza”.

    Em seguida, o parlamentar disse: “Por anos me recusei a usar o termo genocídio. Mas agora, depois das imagens que vimos e depois de conversar com pessoas que estavam lá, não posso mais evitar”.

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    A sessão era presidida pelo vice-presidente do Knesset, Nissim Vaturi, que interrompeu Cassif, afirmando que “isso não é uma citação, é inventado”. Em seguida, ele exigiu que Cassif fosse removido do pódio, seguido pelo membro do Likud, Tali Gottlieb, que gritou: “Ele não dirá ‘genocídio’ aqui!”, antes que os assistentes do Knesset removessem fisicamente Cassif do pódio.

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    Em publicação nas redes sociais após o caso, Cassif disse: “Nem mesmo escritores críticos podem mais ser citados no parlamento da única democracia do Oriente Médio. Parafraseando Heine: onde citar autores é proibido, os opositores do regime também serão eventualmente banidos”. 

    No ano passado, o deputado já havia sido banido de participação em comitês do Parlamento durante seis meses depois de queixas devido à sua posição sobre a crise em Gaza — na ocasião, ele descreveu palestinos como “lutadores pela liberdade” e afirmou que sua responsabilidade é estar “com as vítimas em todo e qualquer lado, não importa quem são”.

    Controle de Gaza

    A remoção do parlamentar se deu em meio ao anúncio do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de convocação do gabinete para passar “instruções” sobre a continuação da guerra em Gaza. Em paralelo, a emissora israelense i12 afirmou que o premiê já decidiu tomar controle total da Faixa de Gaza, segundo reportagem com base em fontes do governo do país.

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    Oficialmente, Netanyahu afirma que as instruções focam na “maneira de alcançar os três objetivos de guerra”. Segundo ele, os objetivos são “derrotar o inimigo, libertar nossos reféns e garantir que Gaza deixe de ser uma ameaça para Israel”.

    Sob essa justificativa, Netanyahu deve anunciar a expansão da ofensiva na terça-feira, segundo a emissora. A decisão, mostra a reportagem, foi tomada após o fracasso das negociações por um acordo de cessar-fogo que devolvesse os reféns israelenses ainda sob poder do Hamas.

    Atualmente, as Forças de Defesa de Israel controlam aproximadamente 75% da Faixa de Gaza. Sob o novo plano, espera-se que os militares ocupem também o território restante, colocando todo o enclave sob controle israelense. Não está claro o que tal medida significaria para os milhões de civis e grupos humanitários que operam no enclave.

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    As fortes restrições a insumos básicos impostas por Israel também vêm causando fome generalizada na região. Segundo um relatório avalizado pela ONU, 93% da população está em estado de vulnerabilidade alimentar e 244 000, em situação “catastrófica”. O fornecimento de mantimentos foi transferido a uma empresa americana apoiada por Israel e Estados Unidos — a GHF, criticada pela inexperiência e pelo viés militarizado da missão que encabeça.

    Na semana passada, duas importantes ONGs israelenses, a B’Tselem e a Médicos pelos Direitos Humanos,  divulgaram relatórios classificando as ações do governo como “política genocida” em Gaza. Foi a primeira vez que grupos israelenses usaram esse termo publicamente, intensificando a pressão interna.

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