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ONU convoca reunião urgente do Conselho de Segurança após ataques contra Irã

Secretário-geral António Guterres condenou a escalada da violência militar e pediu o cessar imediato dos combates

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 fev 2026, 12h32 •
  • O Conselho de Segurança das Nações Unidas se reunirá em caráter de urgência neste sábado, 28, às 18h (horário de Brasília) para discutir “a situação no Oriente Médio”, após ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, anunciou a organização.

    A sessão de emergência foi solicitada pelas missões permanentes de França, Bahrein, China, Rússia e Colômbia, de acordo com um comunicado da missão permanente da Rússia junto à ONU. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou a escalada da violência militar no Oriente Médio e pediu o cessar imediato dos combates.

    + A reação internacional ao ataque dos Estados Unidos ao Irã

    O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, lamentou os ataques e instou todas as partes a retornarem às negociações, afirmando que a escalada do conflito resultará em “morte, destruição e sofrimento humano”.

    “Para evitar essas terríveis consequências para os civis, apelo à moderação e imploro a todas as partes que usem a razão, reduzam a tensão e retornem à mesa de negociações, onde buscavam ativamente uma solução poucas horas antes”, afirmou.

    Em nota, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil defendeu negociações e apelou “a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção”.

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    Em uma ação coordenada, os Estados Unidos, sob Donald Trump, e Israel lançaram ataques aéreos que tiveram como alvos o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei,  e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, informou a televisão estatal israelense KAN, citando fontes do governo.

    Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e bases americanas no Oriente Médio.

    A informação foi confirmada por autoridades ouvidas pela emissora americana CNN. Os ataques também teriam mirado outras figuras importantes do regime, incluindo o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Sayyid Abdolrahim Mousavi, o secretário do recém-criado Conselho de Defesa do Irã, Ali Shamkhani, e o secretário do Conselho de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani. Não está claro até o momento se alguma figura importante do governo iraniano foi atingida no ataque.

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    Uma fonte com conhecimento do assunto disse anteriormente à agência de notícias Reuters que Khamenei não estava em Teerã e havia sido transferido para um local seguro. A mídia iraniana também noticiou que o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, está em segurança.

    Negociações fracassadas

    O ataque deste sábado ocorre após o fracasso da última rodada de negociações entre EUA e Irã, vista como a possível última saída diplomática. Sobre o tema, Trump afirmou: “sempre foi política dos Estados Unidos, em particular da minha administração, que esse regime terrorista jamais poderá ter uma arma nuclear”.

    Em sequência, o presidente citou a guerra de junho de 2025, quando os Estados Unidos bombardearam instalações nucleares e militares iranianas durante o conflito entre Israel e Irã.

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    Na quinta-feira, representantes dos dois países encerraram seis horas de negociações em Genebra sem avanço concreto sobre a principal exigência americana: o desmantelamento completo do programa nuclear iraniano.

    Em relatório reservado a seus 35 Estados-membros, a agência Internacional de Energia Atômica afirmou que o Irã estocou parte de seu urânio altamente enriquecido em uma área subterrânea do complexo nuclear de Isfahan, no centro do país. É a primeira vez que o órgão vinculado à ONU especifica o local onde o material com grau de pureza de até 60% estaria guardado. O patamar está tecnicamente próximo dos 90% de enriquecimento considerados necessários para a produção de uma arma nuclear.

    A tensão em torno do programa nuclear iraniano se intensificou após a erosão do acordo firmado em 2015, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global, que impunha limites rígidos ao enriquecimento de urânio em troca do alívio de sanções. Desde a saída unilateral dos Estados Unidos do pacto, durante o primeiro mandato de Donald Trump, o Irã ampliou progressivamente seus níveis de enriquecimento e reduziu a cooperação com inspetores internacionais.

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    Ao mesmo tempo em que o campo diplomático encontrava dificuldades para avançar, os EUA seguiam acumulando poderio bélico ao redor do Irã. Na quarta-feira, 25, Washington enviou uma dúzia de caças F-22 para a região, que já contava com dois porta-aviões, 12 contratorpedeiros e três embarcações de combate.

    Ao todo, os EUA reuniram sua maior força militar no Oriente Médio desde a invasão ao Iraque, em 2003.

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