ONG denuncia morte de mais de 40 presos por protestos contra o regime em Cuba
Prisão de opositores políticos é prática comumente utilizada por Havana como punição, segundo Anistia Internacional
Pelo menos 46 manifestantes detidos durante protestos contra o governo em Cuba morreram por falta de atendimento médico, informou a ONG Justiça 11J na terça-feira, 10. A denúncia foi feita durante uma audiência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos na Guatemala sobre manifestantes encarcerados desde 2021, quando uma série de mobilizações tomou conta da nação caribenha.
De acordo com a diretora da organização, Camila Rodriguez, as mortes ocorreram entre o início de janeiro e os primeiros dias de março, sendo consequência da “negação ou atraso deliberado no atendimento médico” dos manifestantes. Ela afirma que os detentos só eram transferidos para hospitais quando já estavam em “condições irreversíveis”.
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Rodríguez aponta que um total de 294 detentos foram privados de atendimento médico nas prisões cubanas, de acordo com um monitoramento realizado por uma coalizão de organizações da sociedade civil. “Até o momento, não temos conhecimento de investigações independentes ou autoridades prisionais que tenham sido responsabilizadas por essas mortes sob custódia estatal”, disse.
Os manifestantes foram detidos durante os protestos de julho de 2021, quando milhares de cubanos tomaram as ruas do país contra o governo. Um protesto dessa magnitude não acontecia no país desde a revolução de 1959, e fez com que o presidente Miguel Díaz-Canel convocasse seus apoiadores para tomarem as ruas em resposta.
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Para o representante da Anistia Internacional Cristian Jiménez, a prisão de opositores políticos é uma prática comumente utilizada por Havana para punir aqueles que protestam por melhorias no país. “Esta é uma ferramenta sistemática de castigo contra aqueles que exercem direitos humanos como a liberdade de expressão, de reunião pacífica, de associação e de protesto”, afirma.
Os protestos ocorrem em plena pandemia da Covid-19 e foram motivados pelas más condições de controle da doença, com o alto número de casos e o colapso de centros de saúde local. Além disso, fatores como a falta de acesso à internet e uma grave crise econômica motivaram o comportamento da população. Em defesa do governo, Díaz-Canel afirmou que a crise se devia ao embargo promovido pelos Estados Unidos, vigente até os dias de hoje.





