Número de libaneses que fugiram de casa por conflito Israel-Hezbollah ultrapassa 1 milhão
Desde o início dos combates há duas semanas, em meio à guerra entre Irã e coalizão EUA-Israel, ao menos 886 pessoas morreram no Líbano
A guerra entre Israel e o grupo xiita Hezbollah já provocou o deslocamento de mais de um milhão de pessoas no Líbano desde o início das hostilidades, há cerca de duas semanas, em meio a um conflito em múltiplas frentes no Oriente Médio. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 16, pelas autoridades libanesas.
Segundo o Ministério de Assuntos Sociais do país, ao menos 1.049.328 pessoas se registraram como deslocadas em um sistema online criado pelo governo para acompanhar a crise humanitária. Desse total, cerca de 132.700 estão abrigadas em mais de 600 centros coletivos espalhados pelo território libanês.
O número reflete o agravamento dos confrontos, que levaram milhares de famílias a abandonar suas casas. A escalada do conflito teve início em 2 de março, quando o Hezbollah disparou foguetes contra território israelense em retaliação à morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, durante a ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o território iraniano.
Desde então, Israel intensificou os ataques contra posições do Hezbollah no Líbano. Nesta segunda-feira, o Exército israelense afirmou ter realizado bombardeios e operações militares terrestres em áreas que, segundo Tel Aviv, abrigam bases e infraestrutura da milícia apoiada por Irã. De acordo com os militares, a entrada das tropas foi precedida por ataques aéreos e de artilharia contra “numerosos alvos terroristas”, com o objetivo de reduzir ameaças na região.
Segundo o governo libanês, a violência já ceifou cerca de 886 vidas no país. Entre as vítimas estão sete pessoas que morreram em um ataque aéreo israelense ocorrido nas primeiras horas desta segunda-feira.
Diante do agravamento da crise, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu um cessar-fogo imediato durante visita a Beirute na semana passada. Após reunião com o presidente libanês, Joseph Aoun, que já solicitou negociações com Israel, ele afirmou que o país foi “arrastado para uma guerra que seu povo nunca quis”.
“Apelo veementemente a ambas as partes, Hezbollah e Israel, para que interrompam os combates”, disse Guterres. O secretário-geral também afirmou que a estabilidade do Líbano depende do fortalecimento das instituições estatais. “Este não é mais o tempo dos grupos armados. Este é o tempo dos Estados fortes.”
O conflito tem alimentado críticas internas ao Hezbollah, acusado por parte da população de ter levado o Líbano para mais um confronto com Israel. Fundado em 1982 e apoiado pelo Irã, o grupo político-militar construiu ao longo das décadas um arsenal considerado por analistas mais robusto do que o próprio Exército libanês.





