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Novo atentado deixa 19 mortos, enquanto afegãos xiitas enterram seus mortos

Dezenove pessoas, incluindo sete mulheres e cinco crianças, morreram nesta quarta-feira na província afegã de Helmand na explosão de uma bomba de fabricação caseira ativada na passagem do micro-ônibus no qual viajavam, informaram as autoridades provinciais.

O atentado também deixou cinco feridos, segundo o porta-voz do governo de Helmand, Daud Ahmadi.

“As sete mulheres integram a mesma família”, declarou à AFP Mohammad Ismail, comandante das forças de segurança de Helmand.

O micro-ônibus seguia de Lashkar Gah, a capital da província, para Sangin.

Helmand é uma das províncias mais violentas do Afeganistão, onde os talibãs combatem as forças afegãs e da Otan desde o fim de 2001.

Também nesta quarta-feira, os xiitas afegãos enterraram as 59 vítimas dos dois atentados da véspera que constituíram o primeiro ataque entre correntes distintas do Islã no Afeganistão em mais de 10 anos.

Um atentado suicida em uma procissão em Cabul matou na terça-feira 55 pessoas, entre elas um cidadão americano, durante a comemoração da Ashura, uma das festas mais importantes.

Quase simultaneamente, em Mazar-i-Sharif, norte do Afeganistão, uma bicicleta bomba explodiu durante a passagem de um grupo de peregrinos xiitas, matando quatro deles.

A embaixada dos Estados Unidos não forneceu nenhuma informação sobre o americano morto em Cabul.

O presidente afegão, Hamid Karzai, que voltou de forma precipitada ao Afeganistão depois de encurtar um giro pela Europa, dirigiu em Cabul uma reunião de autoridades da segurança.

Durante uma visita nesta quarta-feira às vítimas hospitalizadas do atentado, o presidente afegão acusou o grupo paquistanês Lashkar-e-Jhangvi de estar por trás do incidente da véspera e pediu medidas ao governo do Paquistão para que “justiça seja feita”.

“O presidente acusou o grupo Lashkar-e-Jhangvi (LeJ), baseado no Paquistão, de ser o responsável por este atentado”, declarou à AFP o porta-voz de Karzai, Aimal Faizi.

“O presidente disse que ia pedir ao governo paquistanês que tomasse medidas a esse respeito, já que o grupo está baseado no Paquistão, para que justiça seja feita”, acrescentou seu porta-voz.

Durante a manhã, entre 300 e 400 pessoas participaram dos funerais de sete das vítimas no cemitério de Kart e Sakhi, no centro da capital.

Quatro pessoas foram enterradas neste mesmo cemitério na tarde de terça-feira.

Embora pelo momento não tenha sido registrado nenhum ato de violência, persiste o temor de uma reação da minoria xiita, que representa 20% da população e pertence sobretudo à etnia hazara.

“De agora em diante, tudo irá depender da gestão das reações dos hazaris e outros xiitas”, disse à AFP uma fonte ocidental.

As principais figuras desta comunidade pediram calma publicamente.

Os serviços de segurança e observadores atribuem os atentados de terça-feira a grupos extremistas paquistaneses e descartam uma participação dos talibãs afegãos, que, por sua vez, os condenaram com firmeza dizendo que eram “contrários ao islã”.

O camicase que realizou o atentado em Cabul é um paquistanês oriundo do distrito de Kurram, nas zonas tribais do Paquistão fronteiriças com o Afeganistão, indicou uma autoridade de um serviço afegão de segurança.

Esta região é um dos bastiões dos talibãs paquistaneses, santuário da Al-Qaeda e reduto dos talibãs afegãos.

“Está ligado a Sipah-e-Sahaba (SSP)”, acrescentou a fonte, que acusou os serviços secretos paquistaneses (ISI) de colaborar com o SSP para “desencadear violências sectárias no Afeganistão”.

O grupo Lashkar-e-Jangvi (LEJ) é o braço armado do SSP.

As duas organizações estão proibidas no Paquistão.

“Se há um envolvimento dos talibãs afegãos, é um envolvimento mínimo”, acrescentou a fonte, que mencionou que vários suspeitos foram detidos.

Uma fonte de segurança ocidental também duvida da pista talibã e se inclina mais para autoridades paquistanesas, sem se pronunciar imediatamente sobre uma cumplicidade dos serviços secretos ou do exército paquistanês.

Os ataques antixiitas ocorreram três meses após o assassinato do ex-presidente Burhanuddin Rabbani, figura importante da etnia tadyik, encarregado pelo governo de Cabul de negociar com os talibãs.

“Depois de atacar as linhas de fratura étnicas, agora apontam para as divisões sectárias”, indicou a força ocidental.