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Mike Pompeo se reúne com líderes sauditas por aliança anti-Irã

Secretário de Estado americano deve apresentar novas sanções contra o governo iraniano, em represália aos ataques contra petroleiros de países aliados

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, se reuniu nesta segunda-feira, 24, com o rei e com o príncipe-herdeiro da Arábia Saudita para conversas sobre uma possível aliança anti-Irã, em resposta à tensão crescente na região.

A relação entre os países vem se deteriorando desde o mês passado, quando quatro embarcações sauditas foram atacadas no Golfo de Omã. Na ocasião, a Arábia Saudita, grande aliada comercial dos americanos, denunciou sabotagens “para minar a segurança da oferta de petróleo” no lado do golfo próximo à costa dos Emirados Árabes Unidos.

Na última semana, Pompeo ainda acusou o governo iraniano de estar por trás do ataque contra dois navios petroleiros também no Golfo de Omã na quinta-feira 13. Segundo o chanceler, o nível de sofisticação e as armas utilizadas levaram a tais conclusões, apesar de o governo iraniano negar envolvimento no episódio.

Em seus comentários após o encontro, o rei saudita, Salman, se limitou a dizer que Pompeo é um “grande amigo.” O americano deve viajar ainda nesta segunda para os Emirados Árabes Unidos para mais reuniões sobre a situação tensa com o regime iraniano.

Antes de sua viagem no domingo 23, Pompeo declarou que a Árabia Saudita e os Emirados Árabes Unidos eram “grandes aliados no desafio apresentado pelo Irã”.

“Nós conversaremos com eles sobre como podemos garantir que estamos alinhados estrategicamente e sobre como podemos construir uma coalizão global”, acrescentou o secretário.

Pompeo ainda reiterou a oferta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a abertura de um diálogo pacífico para melhorar a relação com os iranianos, apesar de sua administração estar estabelecendo sanções para tentar isolar o país economicamente.

“Estamos preparados para negociar sem condições prévias. E eles sabem exatamente como nos encontrar”, afirmou o chanceler.

Não houve nenhum indicativo de que Pompeo comentou o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi em sua visita aos líderes do reino.

Na última semana, a Organização das Nações Unidas (ONU) pediu investigações sobre a participação do príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, e de outras autoridades de alto escalão no crime, cometido em 2 de outubro de 2018 dentro do consulado saudita em Istambul, depois que um relatório independente da entidade encontrou fortes evidências de sua participação na morte.

Reação europeia

A tensão entre os Estados Unidos e o Irã vem aumentando desde o ano passado, quando o presidente Trump decidiu retirar seu governo do acordo nuclear assinado em 2015 pelo seu antecessor, Barack Obama, optando por reprimir o enriquecimento de urânio de Teerã com a aplicação de sanções econômicas.

Mais sanções devem ser anunciadas ainda hoje pelos americanos, em uma tentativa de forçar reuniões com a liderança iraniana. O enviado dos Estados Unidos no Irã, Brian Hook, já antecipou que o país irá propor uma força de proteção no Golfo de Omã, para tentar evitar novos ataques contra petroleiros aliados na área.

Atualmente, já está em vigor um bloqueio quase completo à importação de petróleo do Irã e o país deixou claro que não irá se envolver em negociações até que estas medidas sejam retiradas.

“Independentemente de qualquer decisão tomada por eles, não permitiremos que nenhuma das fronteiras do Irã seja violada. O Irã enfrentará com firmeza qualquer agressão ou ameaça dos Estados Unidos”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Abbas Mousavi, à Tasnim.

Na última semana, Washington abortou um ataque militar em retaliação à derrubada de um avião não-tripulado americano em espaço aéreo internacional. Segundo Trump, a resposta poderia ter matado 150 pessoas.

O conselheiro do líder americano, John Bolton, avisou ao governo iraniano que “a prudência dos Estados Unidos não deve ser confundida com fraqueza.”

Durante o final de semana, um encontro em Londres com representantes da Arábia Saudita, Emirados Arábes Unidos, Reino Unido e Estados Unidos terminou com um comunicado conjunto acusando os rebeldes houthis, aliados do Irã no Iêmen, por ataques em território saudita usando “mísseis e veículos aéreos não tripulados de fabricação iraniana.”

Mas, apesar disso, o Reino Unido, em parceria com a França e a Alemanha, pediu para Teerã esperar o mecanismo de auxílio financeiro planejado para ajudar nos negócios do continente com o Irã, o que diminuitá o impacto das sanções americanas. O país árabe enxerga o aumento do comércio internacional como um dos maiores benefícios de um acordo nuclear e ficou insatisfeito com o atraso significativo do plano.

Desde quinta-feira 20, a expectativa é de que o Irã ultrapasse os limites de enriquecimento de urânio estabelecidos no acordo de 2015, aumentando a pressão dos Estados Unidos para que os países europeus também abandonem o documento.