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Rússia ameaça rebater novas sanções dos EUA ao Irã

Governo iraniano minimizou o impacto das medidas anunciadas por Trump após destruição de drone americano

A Rússia e seus parceiros tomarão medidas para rebater a ameaça de novas sanções dos Estados Unidos contra o Irã, disse o vice-ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Ryabkov, nesta segunda-feira, 24.

Segundo as agências de notícia estatais Tass e RIA, Ryabkov não especificou quais serão as medidas tomadas por Moscou como forma de retaliação.

Ryabkov disse ainda que a imposição de sanções pelos Estados Unidos agravaria as tensões no Oriente Médio, e que Washington deveria buscar o diálogo com Teerã antes de impor novas medidas punitivas.

No sábado, dois dias após a destruição de um drone americano por um míssil iraniano na região do Golfo, o presidente Donald Trump afirmou que “grandes sanções adicionais” contra Teerã seriam anunciadas nesta segunda.

O presidente americano também disse ter cancelado no último momento bombardeios que havia programado contra o Irã em represália. No mesmo dia, a imprensa americana noticiou uma série de ataques virtuais contra sistemas de lançamento de mísseis e uma rede de espionagem iraniana.

‘Impacto mínimo’

Apesar da reação russa, o governo iraniano minimizou o impacto das novas sanções americanas prometidas para esta segunda, estimando que os Estados Unidos já fizeram tudo o que é possível para punir a república islâmica economicamente.

As novas sanções econômicas que Washington se prepara para anunciar “não terão resultado”, assegurou o porta-voz do ministério iraniano das Relações Exteriores, Abbas Mussavi.

“Existem realmente sanções que os Estados Unidos não impuseram ao nosso país e à nossa nação recentemente ou nos últimos 40 anos?”, questionou durante uma coletiva de imprensa em Teerã.

“Nós realmente não sabemos quais são (as novas sanções), nem onde eles querem atingir, mas estimamos que não terão resultados”, disse Mussavi.

Diálogo

O representante especial dos Estados Unidos para o Irã, Brian Hook, visitou o Omã neste final de semana e estava a caminho da Europa para explicar a política americano aos aliados. Em um telefonema antes de sua chegada a Paris, ele disse a repórteres europeus que Trump estava disposto a sentar-se com o Irã para negociar.

Hook destacou, contudo, que Teerã deve aceitar discutir um novo acordo antes que as sanções sejam impostas. O representante se recusou a dar mais detalhes sobre as medidas prometidas pelo presidente americano.

As relações entre os dois países começaram a piorar no ano passado, quando os Estados Unidos abandonaram um acordo de 2015 entre o Irã e as potências mundiais projetado para conter o programa nuclear iraniano em troca da suspensão das sanções.

Como resultado, Washington restabeleceu, desde agosto de 2018, uma série de sanções econômicas punitivas contra Teerã como parte de uma campanha de “pressão máxima”. Trump chegou a prometer ao Irã as sanções mais “duras” da história.

As primeiras sanções americanas contra o Irã datam de 1979, em resposta à tomada de reféns na embaixada dos Estados Unidos em Teerã, dez meses após a vitória da Revolução Islâmica.

(Com Reuters e AFP)