Macron anuncia ‘missão’ da França com aliados para reabrir Estreito de Ormuz
Em visita ao Chipre, membro da UE que sofreu retaliação iraniana, presidente francês fala em realizar operação de caráter 'puramente defensivo'
O presidente Emmanuel Macron afirmou nesta segunda-feira, 9, que a França e seus aliados estão trabalhando para organizar uma missão para reabrir o Estreito de Ormuz. Caso se concretize, a ação arrastaria ainda mais a Europa para o conflito no Oriente Médio, que embora relutante em se envolver já despachou assistência militar para nações do Golfo que abrigam bases militares de países do velho continente.
Em visita ao Chipre, membro da União Europeia localizado no extremo leste do Mar Mediterrâneo que sofreu com ataques iranianos de retaliação contra Estados Unidos e Israel por abrigar bases ocidentais, Macron afirmou que a operação terá caráter “puramente defensivo”.
O presidente francês não deu detalhes, mas explicou que a missão teria objetivo de escoltar navios “após o fim da fase mais tensa do conflito” no Oriente Médio, para garantir o fluxo de petróleo e gás. A declaração foi dada em coletiva de imprensa conjunta com o presidente cipriota, Nikos Christodoulides, e o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis.
Na semana passada, Macron já havia coordenado com a Grécia e a Itália “o envio de tropas para Chipre e o Mediterrâneo Oriental” e um trabalho conjunto “para garantir a liberdade de navegação no Mar Vermelho”.
Convulsão global
O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, que controla junto a Omã a rota por onde passam 20% do petróleo e gás comercializados no mundo inteiro, colocou pressão sobre mercados internacionais e fez disparar o preço do barril para mais de US$ 100 pela primeira vez em quatro anos. Dados da consultoria de análise marítima Kpler, publicados na semana passada, indicam que o tráfego de petroleiros pela rota vital caiu 90% desde o início do conflito.
As bolsas de valores na Ásia, no Reino Unido e na Europa continental abriram em queda nesta manhã devido às preocupações de investidores com uma crise de abastecimento provocada pela guerra iniciada há dez dias por ataques americanos e israelenses ao Irã. O petróleo Brent, referência internacional, subiu a um pico de 29%, atingindo US$ 119,50 o barril no início do pregão desta segunda, mas recuou para US$ 106,73, uma alta de 15%, após o G7 anunciar uma reunião que discutirá a liberação de reservas emergenciais de combustível.
Além do fechamento do Estreito de Ormuz, os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel e a campanha retaliatória iraniana, que atingiu quase uma dezena de países na região, afetou refinarias por todo o Oriente Médio e estrangulou exportações por vias marítimas. Pelo menos cinco instalações de produção de petróleo em Teerã e arredores foram atingidas por ataques. A companhia petrolífera nacional do Kuwait anunciou um corte preventivo na produção em resposta aos ataques com drones, enquanto o Bahrein limitou exportações após sua maior refinaria sofrer uma explosão nesta segunda.
Embora o regime dos aiatolás tenha negado que as ricas monarquias sejam seu alvo, que seria restrito apenas a ativos ligados a Washington (como as bases, embaixadas e consultados atingidos), autoridades árabes afirmaram à emissora americana NBC News que a saraivada contra instalações petrolíferas é proposital e visa aumentar os preços globais de energia para pressionar a Casa Branca e o governo israelense a interromperem o conflito.
Europa arrastada
Embora estejam relutantes em se envolver diretamente na guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, países europeus não conseguiram evitar serem arrastados para o conflito no Oriente Médio após uma série de ataques ao Chipre, membro da União Europeia, e às monarquias do Golfo, que abrigam bases militares da França, Reino Unido e outros integrantes do velho continente. Embora tenham enfatizado que seus objetivos são “defensivos”, cada vez mais nações da Europa prometem assistência militar aos aliados, à medida que o conflito no Oriente Médio escala.
Anteriormente, Macron já havia ordenado que o porta-aviões Charles de Gaulle, de propulsão nuclear, fosse deslocado do Mar Báltico para o Mediterrâneo com o objetivo de apoiar o Chipre, que tem sido alvo de drones. Além disso, despachou caças Rafale, sistemas de defesa aérea e radares aerotransportados para ajudar a proteger ativos militares de aliados, observando que a França tem acordos de defesa com vários países do Golfo, bem como compromissos com a Jordânia e o Iraque.
França, Reino Unido e Alemanha não estiveram envolvidos nos ataques conjuntos EUA-Israel contra o Irã, que começaram no final da semana passada, mas afirmaram em comunicado conjunto estar preparados para tomar medidas defensivas para destruir a capacidade do Irã de lançar mísseis e drones.
O Reino Unido, a Grécia e Portugal foram além, permitindo também que os militares americanos utilizem suas bases sob certas condições. O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, garantiu que a campanha dos Estados Unidos contra o Irã tem “amplo apoio dos aliados”, enquanto o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou que não descartaria uma ação militar caso o conflito se alastre.





