A escolhida do Partido Conservador para ser a nova primeira-ministra do Reino Unido, Liz Truss, assumiu o cargo oficialmente nesta terça-feira, 6, prometendo ação imediata para enfrentar um dos períodos mais turbulentos da história do país, liderado por contas de energia crescentes, uma recessão iminente e conflitos industriais.
“Agora enfrentamos fortes ventos contrários globais causados pela terrível guerra da Rússia na Ucrânia e as consequências da Covid-19. Mas estou confiante de que juntos podemos enfrentar a tempestade. Podemos reconstruir nossa economia e podemos nos tornar o Reino Unido moderno e brilhante que sei que podemos ser”, disse a ex-secretária de Relações Exteriores em seu primeiro discurso à porta de Downing Street, sede do governo.
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Truss será a quarta premiê do Partido Conservador em seis anos e substitui Boris Johnson, que foi forçado a deixar o cargo após acumular inúmeras polêmicas. Em seu discurso, ela definiu as três prioridades de seu governo: aumentar o crescimento da economia por meio de cortes de impostos, lidar com a alta dos custos de energia a partir desta semana e garantir que as pessoas recebam os cuidados necessários do Serviço Nacional de Saúde (espécie de SUS britânico).
No entanto, o processo não será fácil. O Reino Unido enfrenta uma economia em crise com a inflação atingindo o maior valor dos últimos 40 anos, um aumento do custo de energia – que deve subir ainda mais – e o alerta de uma grande recessão ainda para este ano.
Seu plano de reviver o crescimento por meio de cortes de impostos, ao mesmo tempo em que fornece cerca de 100 bilhões de libras para energia, abalou os mercados financeiros, levando os investidores a abandonar a libra e os títulos do governo nas últimas semanas.
Truss também prometeu abandonar os planos para aumentar o imposto sobre as grandes empresas e reverter um incremento nas taxas sobre a folha de pagamento de trabalhadores e empregadores, projetado para arrecadar fundos adicionais para saúde e assistência social.
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“Sei que temos o que é preciso para enfrentar esses desafios. Claro, não será fácil, mas podemos fazê-lo. Vou agir hoje e todos os dias para que isso aconteça. Unidos com nossos aliados, defenderemos a liberdade e a democracia em todo o mundo, reconhecendo que não podemos ter segurança em casa sem ter segurança no exterior”, disse ela.
Apesar do discurso, a nova primeira-ministra deverá enfrentar problemas para colocar em prática todas as propostas que deseja, sendo uma das líderes com menos apoio político dos últimos anos. Durante as prévias, ela foi menos popular que seu adversário, Rishi Sunak, e encontra um Partido Conservador dividido.
Comandado pelos conservadores desde 2010, o Reino Unido lida com a possibilidade de uma crise energética que pode fazer com que pelo menos uma em cada três famílias sofram de pobreza em 2023. As contas de energia devem saltar 80% em outubro, embora exista a possibilidade de que Truss congele as contas como parte do plano de 100 bilhões de libras.
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Além disso, a moeda britânica sofreu uma maior desvalorização em relação ao dólar americano do que a maioria das outras moedas importantes recentemente. Somente em agosto, a libra esterlina caiu 4% em relação ao dólar e marcou o pior mês para títulos de 20 anos do governo britânico desde 1978, de acordo com registros do Banco do Reino Unido.