Líder checheno diz que mandará filhos adolescentes para lutar pela Rússia
Ramzan Kadyrov prometeu enviar seus meninos de 14, 15 e 16 anos à Ucrânia, mas Rússia assinou tratado na ONU que proíbe menores de idade em guerras
O líder da Chechênia, Ramzan Kadyrov, disse nesta segunda-feira, 3, que seus três filhos adolescentes de 14, 15 e 16 anos, em breve viajarão para a linha de frente na Ucrânia para lutar com o Exército da Rússia.
Nas redes sociais, Kadyrov, que é um grande aliado do presidente Vladimir Putin, disse que um pai deve ensinar seus filhos a proteger seu povo, sua família e sua pátria.
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Apesar do anúncio, o governo russo assinou um tratado nas Nações Unidas destinado a impedir que crianças menores de 18 anos participem diretamente de qualquer hostilidade.
Além disso, usar menores de 15 anos em qualquer guerra é considerado crime pelo Tribunal Penal Internacional. A Rússia, no entanto, não reconhece sua jurisdição.
Em uma longa publicação no Telegram, Kadyrov disse que o treinamento militar de seus filhos começou quando eles eram bem mais novos e que chegou a hora deles experimentarem uma batalha real. Ele também utilizou seu discurso para criticar as pessoas de “palavras vazias” que alegaram que seus parentes estavam evitando o conflito direto na Ucrânia.
Desde o início da guerra, em 24 de fevereiro, soldados chechenos são ridicularizadas pelos ucranianos pelo fato de se concentrarem muito mais em postar vídeos para as mídias sociais do que, de fato, participar de batalhas na linha de frente.
Kadyrov governa a Chechênia desde 2007 e trouxe relativa estabilidade à região, que havia lutado sem sucesso por sua independência por mais de uma década. No entanto, ele tem sido alvo de críticas por governar de maneira autoritária e não reprimir violações dos direitos humanos.
Fervoroso aliado de Putin, o líder checheno criticou o alto escalão militar russo por conta das recentes derrotas em batalhas importantes contra a ofensiva ucraniana, descrevendo um dos comandantes como “medíocre” que não possui uma logística básica.
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Além disso, Kadyrov pediu que a Rússia tome medidas drásticas contra a Ucrânia, incluindo o uso de armas nucleares táticas. O Kremlin, em contrapartida, adotou um tom moderado e disse que essas decisões não devem ser tomadas no calor do momento. A fala ocorreu depois que as tropas russas se retiraram da cidade de Lyman, em Donetsk, o que representou um grande revés para Moscou.
A derrota na cidade teve também um grande valor simbólico pois aconteceu apenas um dia depois da cerimônia organizada por Putin para oficializar a anexação das regiões de Kherson, Zaporizhzhia, Donetsk e Luhansk.