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Kim Jong-un celebra ‘grande sucesso’ em congresso e exibe força nuclear da Coreia do Norte

Em maior evento político do regime, líder norte-coreano adota tom triunfalista, reforça alianças com Rússia e sinaliza confiança militar

Por Ernesto Neves 20 fev 2026, 09h31 • Atualizado em 20 fev 2026, 09h36
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    O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, abriu nesta quinta-feira (20) o nono congresso do Partido dos Trabalhadores com um discurso de forte tom triunfalista, no qual exaltou os “grandes sucessos” alcançados pelo país nos últimos cinco anos.

    Realizado a cada cinco anos, o congresso, que reúne cerca de 5.000 delegados e se estende por vários dias, é o principal evento político de Pyongyang.

    É nele que o regime define metas econômicas, ajustes ideológicos, diretrizes de política externa e estratégias militares.

    Analistas avaliam que o tom adotado por Kim reflete o momento de maior confiança geopolítica do regime em anos.

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    De isolamento à nova aliança estratégica

    No congresso anterior, em 2021, Kim descreveu o país como submetido a condições “extremamente duras”, pressionado por sanções internacionais, desastres naturais e os efeitos da pandemia de covid-19.

    Agora, o discurso foi diferente. O líder norte-coreano atribuiu os avanços a um planejamento “científico” e à “luta dedicada” do partido, apesar do que chamou de “bloqueio severo e sanções”.

    Especialistas apontam que a aproximação com a Rússia alterou significativamente o cenário estratégico.

    A cooperação militar entre Pyongyang e Moscou, incluindo envio de tropas e fornecimento de armamentos no contexto da guerra na Ucrânia, fortaleceu a posição norte-coreana e garantiu respaldo político e financeiro.

    Segundo analistas sul-coreanos, essa parceria reduziu o isolamento internacional do regime e ampliou sua margem de manobra diplomática.

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    Avanços militares e arsenal ampliado

    Desde 2021, a Coreia do Norte acelerou o desenvolvimento de mísseis balísticos intercontinentais movidos a combustível sólido, tecnologia que reduz o tempo de preparação para lançamento e dificulta a detecção prévia.

    O regime também expandiu opções táticas com potencial nuclear e exibiu recentemente o casco quase concluído de um submarino nuclear, segundo observadores internacionais. Há suspeitas de que a Rússia tenha contribuído com transferência de tecnologia.

    Durante o congresso, a mídia estatal apresentou ainda um novo lançador múltiplo de foguetes de 600 mm, descrito como símbolo da capacidade ampliada de ataque de precisão do país.

    Economia reage, mas com incertezas

    Embora o Produto Interno Bruto (PIB) per capita norte-coreano permaneça baixo — estimado em cerca de US$ 640 em 2023, segundo dados da ONU, a economia mostra sinais de recuperação após anos de estagnação.

    O Banco da Coreia (Banco Central sul-coreano) estima crescimento de 3,1% em 2023 e de 3,7% em 2024.

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    Especialistas atribuem parte dessa melhora ao envolvimento indireto na guerra da Ucrânia e a atividades ilícitas internacionais, como exportação de armas e operações cibernéticas voltadas ao roubo de criptomoedas.

    Relatórios independentes apontam que ataques digitais atribuídos ao regime teriam gerado bilhões de dólares nos últimos anos.

    Analistas, no entanto, alertam que esses ganhos podem ser temporários, especialmente se o conflito na Ucrânia for encerrado ou se houver maior repressão internacional às redes de financiamento ilícito.

    Sucessão e política interna

    O congresso também é acompanhado de perto por serviços de inteligência estrangeiros em busca de sinais sobre a sucessão de Kim.

    Na semana passada, autoridades sul-coreanas indicaram que o líder estaria considerando sua filha, Kim Ju-ae, de 13 anos, como possível herdeira política, hipótese ainda não confirmada oficialmente.

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    Kim não mencionou negociações com os Estados Unidos em seu discurso. Em declarações anteriores, afirmou que só dialogaria com Washington caso o governo americano abandonasse o que chamou de “obsessão absurda pela desnuclearização”.

    As relações com a Coreia do Sul seguem congeladas. Nos últimos anos, Kim abandonou oficialmente a política histórica de reunificação e retirou referências ao tema da Constituição norte-coreana.

    Ao abrir o congresso, o líder destacou a presença de 413 mulheres entre os delegados, um gesto simbólico em um sistema político tradicionalmente dominado por homens.

    O encontro partidário consolida um momento de autoconfiança do regime, sustentado por fortalecimento militar, nova articulação internacional e relativa recuperação econômica, ainda que cercado por incertezas externas e dependências estratégicas.

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