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Israel recupera restos mortais do último refém mantido em Gaza: ‘Trouxemos todos para casa’

Anúncio ocorre um dia após militares terem realizado uma 'operação em larga escala' em um cemitério para localizar o corpo de Ran Gvili, morto aos 24 anos

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 jan 2026, 11h39 •
  • Israel anunciou nesta segunda-feira, 26, a recuperação dos restos mortais do último refém na Faixa de Gaza. A declaração ocorre um dia após os militares do país terem realizado uma “operação em larga escala” em um cemitério no norte do enclave para localizar o corpo de Ran Gvili, um policial de 24 anos morto ao defender o kibutz Alumim, no sul de Israel, nos ataques do grupo radical Hamas em 7 de outubro de 2023. A devolução de todos os reféns, vivos ou mortos, faz parte dos termos do cessar-fogo, em vigor desde outubro do ano passado.

    O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, definiu a volta dos restos mortais de Ran como “uma conquista incrível” para o país e seus soldados, acrescentando: “Prometi que traríamos todos para casa e trouxemos todos para casa”. O retorno dos reféns faz parte da primeira fase do acordo. Há quase duas semanas, os Estados Unidos afirmaram que o cessar-fogo havia entrado na sua segunda etapa. A família de Ran, contudo, reforçou os apelos para que as negociações não avançassem até a devolução do seu corpo.

    A segunda fase prevê a o desarmamento do Hamas e a reconstrução de Gaza. O grupo, contudo, rejeita entregar as armas sem a criação do Estado da Palestina — uma ideia recusada por Israel. Enquanto isso, proliferam-se as acusações dos termos do cessar-fogo por ambos os lados do conflito. Nesta segunda, as forças israelenses mataram a tiros um homem no bairro de Tuffah, na Cidade de Gaza, segundo o Hospital Shifa, que recebeu o corpo. Ele estava próximo à área onde os militares conduziam a operação de busca por Ran.

    Outro homem foi morto por Israel na zona leste do campo de refugiados de Bureij, no centro de Gaza, de acordo com o hospital Al-Aqsa Martyr. Ainda não há informações concretas sobre as circunstâncias da morte. Mais de 480 palestinos foram assassinados por disparos israelenses desde o início da trégua, em 10 de outubro de 2024, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.

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    ‘Desradicalização’ de Gaza

    O plano elaborado pelos Estados Unidos estabelece que Gaza deverá ser uma zona “desradicalizada”, ou seja, sem grupos radicais. Sob o documento da trégua, o território passará por reconstrução com apoio de um comitê composto por 15 palestinos qualificados e especialistas internacionais. No mesmo dia do anúncio da segunda fase, o ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty, informou que “chegou-se a um consenso sobre os membros” da comissão.

    A supervisão será feita por um órgão internacional de transição, o “Conselho da Paz”, que será presidido por Donald Trump, com outros membros e chefes de Estado. A iniciativa foi lançada na semana passada durante a participação do republicano no Fórum Econômico Internacional, em Davos, na Suíça. Até o momento, Arábia Saudita, Argentina, Armênia, Azerbaijão, Bahrein, Belarus, Catar, Cazaquistão, Egito, Emirados Árabes Unidos, Hungria, Indonésia, Israel, Jordânia, Kosovo, Kuwait, Marrocos, Paraguai, Paquistão, Turquia, Uzbequistão e Vietnã aceitaram participar do Conselho. O Brasil ainda não anunciou sua decisão.

    “Esse órgão estabelecerá a estrutura e administrará o financiamento para a reconstrução de Gaza até que a Autoridade Palestina conclua seu programa de reformas, conforme delineado em várias propostas, incluindo o plano de paz do Presidente Trump em 2020 e a proposta saudita-francesa, e possa retomar o controle de Gaza de forma segura e eficaz. Esse órgão recorrerá aos melhores padrões internacionais para criar uma governança moderna e eficiente que sirva à população de Gaza e seja propícia à atração de investimentos”, explica.

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    Será colocado em prática um plano de desenvolvimento de Trump para “reconstruir e energizar Gaza” através da “convocação de um painel de especialistas que ajudaram a dar origem a algumas das prósperas cidades modernas e milagrosas do Oriente Médio”, enquanto “uma zona econômica especial será estabelecida com tarifas preferenciais e taxas de acesso a serem negociadas com os países participantes”.

     

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