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Irã lança primeira onda com dezenas de drones contra Israel após ataque ordenado por Trump

Chancelaria iraniana condenou 'agressão militar criminosa' e prometeu resposta dura contra EUA e Israel

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 fev 2026, 09h35 • Atualizado em 28 fev 2026, 10h23
  • O Exército do Irã disse ter lançado neste sábado, 28, “dezenas de drones de ataque contra Israel”, após ações militares de Tel Aviv e Washington contra Teerã.

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    Em comunicado, o Irã afirma ter realizado a “primeira grande operação ofensiva com drones contra alvos específicos nos territórios ocupados e todos os interesses do regime sionista”.

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    Os drones levarão várias horas para chegar até território de Israel e, em ataques semelhantes anteriores, a grande maioria foi interceptada por caças antes de atingir as fronteiras israelenses. O lançamento, no entanto, serve para forçar a defesa israelense a reagir, abrindo espaço para que mísseis mais poderosos consigam penetrar.

    Mais cedo, Teerã já havia lançado um ataque a instalações militares americanas no Bahrein, no Kuwait e no Catar. O regime também lançou mísseis e drones contra Israel. Ainda não há informações sobre possíveis danos.

    O Ministério da Defesa do Catar afirmou que as Forças Armadas do país derrubaram vários mísseis antes que eles alcançassem seu espaço aéreo.

    O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou neste sábado a “agressão militar criminosa” perpetrada pelos Estados Unidos por Israel, prometendo uma resposta dura.

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    “A renovada agressão militar dos Estados Unidos e do regime sionista contra o Irã está sendo cometida enquanto o Irã e os Estados Unidos estavam em meio a um processo diplomático”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores, referindo-se às negociações nucleares entre Washington e Teerã que estavam em andamento até a quinta-feira.

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    “Assim como estávamos prontos para as negociações, estamos mais preparados do que nunca para a defesa. As Forças Armadas da República Islâmica do Irã responderão aos agressores com autoridade”, afirmou a pasta.

    Os ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã neste sábado, 28, tiveram como alvos o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei,  e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, informou a televisão estatal israelense KAN, citando fontes do governo.

    A informação foi confirmada por autoridades ouvidas pela emissora americana CNN. Os ataques também teriam mirado outras figuras importantes do regime, incluindo o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Sayyid Abdolrahim Mousavi, o secretário do recém-criado Conselho de Defesa do Irã, Ali Shamkhani, e o secretário do Conselho de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani.

    Não está claro até o momento se alguma figura importante do governo iraniano foi atingida no ataque.

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    Uma fonte com conhecimento do assunto disse anteriormente à agência de notícias Reuters que Khamenei não estava em Teerã e havia sido transferido para um local seguro. A mídia iraniana também noticiou que o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, está em segurança.

    Negociações fracassadas

    O ataque deste sábado ocorre após o fracasso da última rodada de negociações entre EUA e Irã, vista como a possível última saída diplomática. Sobre o tema, Trump afirmou: “sempre foi política dos Estados Unidos, em particular da minha administração, que esse regime terrorista jamais poderá ter uma arma nuclear”.

    Em sequência, o presidente citou a guerra de junho de 2025, quando os Estados Unidos bombardearam instalações nucleares e militares iranianas durante o conflito entre Israel e Irã.

    Na quinta-feira, representantes dos dois países encerraram seis horas de negociações em Genebra sem avanço concreto sobre a principal exigência americana: o desmantelamento completo do programa nuclear iraniano.

    Em relatório reservado a seus 35 Estados-membros, a agência Internacional de Energia Atômica afirmou que o Irã estocou parte de seu urânio altamente enriquecido em uma área subterrânea do complexo nuclear de Isfahan, no centro do país. É a primeira vez que o órgão vinculado à ONU especifica o local onde o material com grau de pureza de até 60% estaria guardado. O patamar está tecnicamente próximo dos 90% de enriquecimento considerados necessários para a produção de uma arma nuclear.

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    A tensão em torno do programa nuclear iraniano se intensificou após a erosão do acordo firmado em 2015, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global, que impunha limites rígidos ao enriquecimento de urânio em troca do alívio de sanções. Desde a saída unilateral dos Estados Unidos do pacto, durante o primeiro mandato de Donald Trump, o Irã ampliou progressivamente seus níveis de enriquecimento e reduziu a cooperação com inspetores internacionais.

    Ao mesmo tempo em que o campo diplomático encontrava dificuldades para avançar, os EUA seguiam acumulando poderio bélico ao redor do Irã. Na quarta-feira, 25, Washington enviou uma dúzia de caças F-22 para a região, que já contava com dois porta-aviões, 12 contratorpedeiros e três embarcações de combate.

    Ao todo, os EUA reuniram sua maior força militar no Oriente Médio desde a invasão ao Iraque, em 2003.

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