Irã condena ‘agressão militar criminosa’ e promete resposta ‘decisiva’ contra EUA e Israel
Ministério das Relações Exteriores ressaltou que 'povo iraniano se orgulha de ter feito tudo o que era necessário para evitar a guerra'
O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou neste sábado, 28, a “agressão militar criminosa” perpetrada pelos Estados Unidos por Israel, após ataques que atingiram diversas áreas dentro do país.
“A renovada agressão militar dos Estados Unidos e do regime sionista contra o Irã está sendo cometida enquanto o Irã e os Estados Unidos estavam em meio a um processo diplomático”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores, referindo-se às negociações nucleares entre Washington e Teerã que estavam em andamento até a quinta-feira.
No texto, a chancelaria ressaltou que “o povo iraniano se orgulha de ter feito tudo o que era necessário para evitar a guerra”, mas que “agora é o momento de defender a pátria e confrontar a agressão militar do inimigo”.
“Assim como estávamos prontos para as negociações, estamos mais preparados do que nunca para a defesa. As Forças Armadas da República Islâmica do Irã responderão aos agressores com autoridade”, afirmou a pasta.
Em paralelo, o governo do Irã apelou às Nações Unidas e à comunidade internacional para que “condenem veementemente este ato de agressão e tomem medidas urgentes e coletivas para enfrentá-lo, o qual, sem dúvida, expôs a paz e a segurança da região e do mundo a uma ameaça sem precedentes”.
“A história testemunha que os iranianos nunca se renderam à agressão e à hegemonia estrangeiras; desta vez também, a resposta da nação iraniana será decisiva e determinante e fará com que os agressores se arrependam de seu ato criminoso”, disse o ministério em nota.
Os ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã neste sábado, 28, tiveram como alvos o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, informou a televisão estatal israelense KAN, citando fontes do governo.
A informação foi confirmada por autoridades ouvidas pela emissora americana CNN. Os ataques também teriam mirado outras figuras importantes do regime, incluindo o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Sayyid Abdolrahim Mousavi, o secretário do recém-criado Conselho de Defesa do Irã, Ali Shamkhani, e o secretário do Conselho de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani.
Não está claro até o momento se alguma figura importante do governo iraniano foi atingida no ataque.
Uma fonte com conhecimento do assunto disse anteriormente à agência de notícias Reuters que Khamenei não estava em Teerã e havia sido transferido para um local seguro. A mídia iraniana também noticiou que o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, está em segurança.
Em resposta, o Irã lançou um ataque a instalações militares americanas no Bahrein, no Kuwait e no Catar. O regime também lançou mísseis e drones contra Israel. Ainda não há informações sobre possíveis danos.
O Ministério da Defesa do Catar afirmou que as Forças Armadas do país derrubaram vários mísseis antes que eles alcançassem seu espaço aéreo.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou a retaliação, afirmando que o país “não hesitará” em sua resposta. “Chegou a hora de defender a pátria e enfrentar o ataque militar do inimigo”, publicou o ministério em comunicado na rede social X. “Assim como estávamos preparados para negociações, estivemos ainda mais preparados para a defesa em todos os momentos. As forças armadas da República Islâmica do Irã responderão de forma decisiva aos agressores, com plena autoridade.”
Negociações fracassadas
O ataque deste sábado ocorre após o fracasso da última rodada de negociações entre EUA e Irã, vista como a possível última saída diplomática. Sobre o tema, Trump afirmou: “sempre foi política dos Estados Unidos, em particular da minha administração, que esse regime terrorista jamais poderá ter uma arma nuclear”.
Em sequência, o presidente citou a guerra de junho de 2025, quando os Estados Unidos bombardearam instalações nucleares e militares iranianas durante o conflito entre Israel e Irã.
Na quinta-feira, representantes dos dois países encerraram seis horas de negociações em Genebra sem avanço concreto sobre a principal exigência americana: o desmantelamento completo do programa nuclear iraniano.
Em relatório reservado a seus 35 Estados-membros, a agência Internacional de Energia Atômica afirmou que o Irã estocou parte de seu urânio altamente enriquecido em uma área subterrânea do complexo nuclear de Isfahan, no centro do país. É a primeira vez que o órgão vinculado à ONU especifica o local onde o material com grau de pureza de até 60% estaria guardado. O patamar está tecnicamente próximo dos 90% de enriquecimento considerados necessários para a produção de uma arma nuclear.
A tensão em torno do programa nuclear iraniano se intensificou após a erosão do acordo firmado em 2015, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global, que impunha limites rígidos ao enriquecimento de urânio em troca do alívio de sanções. Desde a saída unilateral dos Estados Unidos do pacto, durante o primeiro mandato de Donald Trump, o Irã ampliou progressivamente seus níveis de enriquecimento e reduziu a cooperação com inspetores internacionais.
Ao mesmo tempo em que o campo diplomático encontrava dificuldades para avançar, os EUA seguiam acumulando poderio bélico ao redor do Irã. Na quarta-feira, 25, Washington enviou uma dúzia de caças F-22 para a região, que já contava com dois porta-aviões, 12 contratorpedeiros e três embarcações de combate.
Ao todo, os EUA reuniram sua maior força militar no Oriente Médio desde a invasão ao Iraque, em 2003.





