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Irã convoca protesto pró-regime em homenagem a Khamenei, morto em ataques EUA-Israel

Líder supremo morreu em bombardeios durante o final de semana, gerando reações mistas: comemorações efusivas e luto entre iranianos

Por Flávio Monteiro 2 mar 2026, 15h41 •
  • O governo do Irã convocou sua população para uma manifestação pública pró-regime em homenagem ao líder supremo Ali Khamenei, morto durante uma ofensiva conjunta entre Israel e Estados Unidos no final de semana. A mensagem transmitida pela emissora estatal nesta segunda-feira, 2, determina que os iranianos se reúnam na capital, Teerã, para demonstrar apoio à República Islâmica.

    Durante uma guerra que já dura três dias contra Israel e Estados Unidos, a sociedade iraniana segue profundamente impactada pela perda de Khamenei, morto no sábado 28. A notícia provocou uma explosão de alegria em diferentes regiões do país, com muitos dançando abertamente nas ruas para comemorar o fim do líder temido. “Estou rindo e feliz pela primeira vez em anos”, disse o barista Amir em entrevista ao jornal americano Los Angeles Times.

    As comemorações podem ser percebidas em um vídeo obtido pela emissora americana CNN, onde se ouve as vozes de duas mulheres cantando “Morte à República Islâmica” em farsi, momentos antes de assobios e aplausos irromperem. Outro registro mostra aplausos ecoando por um dos bairros de Teerã.

     

     

    Por outro lado, apoiadores do aiatolá lamentaram seu falecimento durante comícios mais organizados, se reunindo em praças por todo o país para chorar por aquele que chamam de mártir. Imagens divulgadas pela imprensa estatal mostram iranianos se reunindo em luto no santuário do Imã Reza em Mashhad, muitos deles chorando. O mesmo ocorreu na Praça Enghelab, em Teerã, e até mesmo fora do país, com manifestações de homenagem a Khamenei no Iraque, Índia, RússiaNigéria.

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    RUSSIA-IRAN-US-ISRAEL-CONFLICT
    Pessoas depositam flores em um altar improvisado com um retrato do falecido líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e uma bandeira da República Islâmica do Irã, em frente à Embaixada do Irã na Rússia, em Moscou, em 2 de março de 2026 (HECTOR RETAMAL/AFP)

    O presidente Masoud Pezeshkian definiu a morte de Khamenei como “um grande crime” e decretou um período de luto de 40 dias, além de sete dias de feriados públicos. Informações da agência de notícias estatal IRNA apontam que, enquanto um novo líder supremo não é eleito, um conselho tripartite formado pelo presidente, pelo chefe do judiciário e por um dos juristas do Conselho dos Guardiões, que assumirá temporariamente as funções de liderança no Irã. Além do aiatolá, mais de 40 oficiais de alta patente, segundo o presidente americano, Donald Trump, foram mortos no ataque de sábado.

    Após a perda do líder supremo, Teerã intensificou seus esforços militares contra bases dos Estados Unidos no Oriente Médio, disparando ataques contra alvos no Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Kuwait. De acordo com a Guarda Revolucionária Islâmica, 27 instalações que abrigam tropas americanas foram visadas em ofensivas retaliatórias, assim como instalações militares israelenses em Tel Aviv.

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    Pelo menos 555 pessoas foram mortas no Irã até o momento pela campanha conjunta EUA-Israel, informou a Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano. Nove israelenses morreram devido à retaliação, bem como cinco pessoas em países do Golfo visados por abrigarem bases militares americanas: uma no Kuwait, três nos Emirados Árabes Unidos e uma no Bahrein.

    Ali Khamenei governou como líder supremo por 37 anos, sendo alçado ao posto em 1989, após a morte do aiatolá Ruhollah Khomeini, grande líder da revolução islâmica. Acumulando os poderes de líder político e religioso, Khamenei moldou a política do Irã, mantendo uma histórica postura hostil aos Estados Unidos e reprimindo fortemente a oposição interna.

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