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A ‘grande onda’ ainda está por vir na guerra com o Irã, alerta Trump após ataques

Em entrevista à emissora americana CNN, presidente dos EUA prevê fim do conflito em quatro semanas, mas não detalha o que acontecerá depois

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 mar 2026, 13h17 • Atualizado em 2 mar 2026, 13h23
  • O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira, 2, que suas Forças Armadas estão “dando uma surra” no Irã, mas que a “grande onda” de ataques ainda está por vir. Em entrevista breve à emissora americana CNN, o ocupante do Salão Oval abordou uma ampla gama de tópicos na entrevista, incluindo a duração esperada do conflito, sua surpresa com a retaliação iraniana e o plano de sucessão após a morte do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Mas, em todos os comentários, não ofereceu muitos detalhes.

    “Estamos dando uma surra neles. As coisas estão indo muito bem. (O ataque) é muito poderoso. Temos as melhores forças armadas do mundo e estamos usando-as”, afirmou o presidente americano. “Nem sequer começamos a atacá-los com força. A grande onda ainda nem chegou. A grande onda está chegando em breve”, acrescentou.

    Trump voltou a estimar que o conflito deve acabar em quatro semanas, mas disse ainda que “estamos um pouco adiantados em relação ao cronograma”. “Não quero que dure muito tempo”, martelou, certamente atento às pesquisas de opinião que mostram que apenas um em quatro americanos, a memória fresca das intermináveis guerras no Iraque e Afeganistão, aprovam da incursão no Irã.

    Futuro do regime

    Ao ser questionado sobre o futuro do regime, ele disse que os Estados Unidos farão mais do que ofensivas militares para ajudar o povo iraniano a retomar o controle de seu país, mas não explicou o quê. Deu indícios apenas de que, quaisquer ações que sejam essas, ocorrerão em uma fase futura. “Agora queremos que todos fiquem em casa. Não é seguro lá fora”, afirmou.

    O chefe da Casa Branca disse não saber quem pode suceder Khamenei, que governou o país como líder supremo desde 1989 até ser morto nos ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel no último sábado 28. “Não sabemos quem os iranianos escolherão. Talvez tenham sorte e consigam alguém que saiba o que está fazendo”, afirmou, acrescentando que a cadeia de comando no Irã “sofreu muito”, com 49 baixas entre autoridades de alta patente, segundo ele.

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    “Esses eram os líderes, e alguns deles estavam sendo considerados (para suceder Khamenei)“, disse Trump. Mas com mais de quatro dezenas de mortos, “não sabemos quem está liderando o país agora. Eles não sabem quem está liderando”.

    Retaliação

    Durante a entrevista, Trump expressou surpresa com os ataques do Irã contra países árabes da região, incluindo Bahrein, Jordânia, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos. Ele afirmou que conhece os líderes dessas nações (“são durões e inteligentes”), e sugeriu que, apesar da “agressividade” da retaliação iraniana”, o Oriente Médio já não estava em paz anteriormente porque vivia sob “a nuvem negra” da ameaça nuclear de Teerã.

    A ofensiva israelo-americana ocorreu após o fracasso da última rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã sobre um acordo nuclear que controlaria o programa de enriquecimento de urânio da nação persa, vista como a possível última saída diplomática. Em junho de 2025, os Estados Unidos já haviam bombardeado instalações nucleares e militares iranianas durante o conflito entre Tel Aviv e Teerã. Na semana passada, representantes dos dois países encerraram seis horas de negociações em Genebra sem avanço concreto sobre a principal exigência americana: o desmantelamento completo do programa nuclear iraniano.

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    À CNN, Trump disse que sua equipe tentou negociar com os iranianos, mas “não conseguimos chegar a um acordo com essas pessoas”. Cada nova oferta, disse ele, era recebida com uma retratação das ofertas anteriores. Ele acrescentou que Teerã não concordou em encerrar seu programa de enriquecimento de urânio.

    Em relatório reservado a seus 35 Estados-membros, a agência Internacional de Energia Atômica afirmou que o Irã estocou parte de seu urânio altamente enriquecido em uma área subterrânea do complexo nuclear de Isfahan, no centro do país. É a primeira vez que o órgão vinculado à ONU especifica o local onde o material com grau de pureza de até 60% estaria guardado. O patamar está tecnicamente próximo dos 90% de enriquecimento considerados necessários para a produção de uma arma nuclear.

    Via militar

    Trump reiterou nesta segunda-feira que a ação militar “é o caminho” para lidar com o Irã, lembrando da operação durante seu primeiro mandato que, em 2020, levou ao assassinato do general iraniano Qasem Soleimani, comandante da unidade de elite da Guarda Revolucionária Islâmica, bem como da “Operação Martelo da Meia-Noite”, que no ano passado provocou sérios danos às principais instalações nucleares iranianas.

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    “Não precisamos nos preocupar com acordos”, disparou, acusando o regime dos aiatolás de indiscriminadamente provocar destruição e desestabilização na região desde a Revolução Islâmica de 1979 e de promover ataques contra os Estados Unidos, seus aliados e interesses. Trump também alegou que os iranianos “estavam a um mês” de obterem uma arma nuclear antes da Operação Martelo da Meia-Noite.

    O presidente americano também destilou críticas ao acordo nuclear assinado na era Barack Obama entre o Irã e potências ocidentais (“um erro grave”), que acusou de ter dado “todo o poder ao Irã” e de ter “aberto caminho para a bomba”. As últimas negociações foram encerradas, ele acrescentou, porque os iranianos “não estavam dispostos a nos dar o que pedimos”.

    “Deveriam ter dado”, disse Trump, antes de encerrar a entrevista.

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