Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90

Hamas diz ter devolvido um dos dois últimos corpos de reféns a Israel

Restos mortais do policial israelense Ran Gvili e do tailandês Sudthisak Rinthalak são os únicos que ainda não retornaram ao país; corpo passa por análise

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 dez 2025, 13h28 •
  • O grupo palestino radical Hamas anunciou nesta terça-feira, 2, que devolveu um dos dois últimos corpos de reféns a Israel. O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, confirmou o recebimento das “descobertas”, como definiu os restos mortais, e informou que foram levadas para análise forense. Os únicos sequestrados mortos que ainda não retornaram a Tel Aviv são o policial israelense Ran Gvili e o cidadão tailandês Sudthisak Rinthalak, levados nos ataques de 7 de outubro de 2023.

    A devolução de todos os reféns, vivos e mortos, faz parte do frágil cessar-fogo entre Israel e Hamas, em vigor há quase dois meses. De lá para cá, ambos os lados trocaram acusações de violações dos termos. O governo israelense alega que os combatentes feriram o acordo devido à demora em entregar os corpos, embora o grupo radical tenha afirmado de antemão que encontrar os restos mortais nos escombros de Gaza, devastada por dois anos de guerra, demandaria tempo e equipamento adequado.

    Os combatentes, por sua vez, denunciam recorrentes ataques israelenses contra o enclave palestino desde a implementação do acordo. Ao menos 357 pessoas foram mortas em Gaza no período, enquanto os militantes mataram três soldados israelenses. Entre as vítimas, está o o jornalista freelancer palestino Mahmoud Wadi, em Khan Younis, acusado por Israel de participar dos ataques de 7 de outubro — uma alegação também feita contra outros repórteres, mas negada veementemente pelos veículos que eles trabalhavam.

    Trata-se, inclusive, do conflito mais mortal para jornalistas. Quase 300 profissionais da imprensa foram mortos desde 7 de outubro, incluindo 10 da emissora árabe Al Jazeera, de acordo com o Observatório Shireen Abu Akleh. O número é superior ao total combinado da Primeira e da Segunda Guerra Mundial, que somaram 69 vítimas. Nas guerras do Vietnã, Camboja e Laos, foram 71; e na invasão russa à Ucrânia, que segue desde 2022, foram 19 até agosto.

    + A paz bombardeada: após o cessar-fogo em Gaza, violência bate recorde na Cisjordânia

    Continua após a publicidade

    Gaza devastada e tensão na Cisjordânia

    O rastro de escombros é 12 vezes maior do que a Grande Pirâmide de Gizé, no Egito. De cada 10 edifícios que antes existiam em Gaza, oito foram danificados ou arrasados. Encurralada, restou à população de Gaza tentar fugir dos bombardeios. Mais de 1,9 milhão de pessoas, ou 90% do enclave, foram deslocadas, de acordo com a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA). Em Israel, em comparação, cerca de 100.000 pessoas tiveram de deixar suas casas.

    A guerra em Gaza abriu um “abismo produzido pelo homem” e deixou uma conta de reconstrução que pode ultrapassar US$ 70 bilhões (cerca de R$ 377 trilhões), mostrou um relatório divulgado na última terça-feira, 25, pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). O documento indicou que a ofensiva israelense e restrições estruturais “comprometeram profundamente todos os pilares de sobrevivência” dos mais de 2 milhões de palestinos, hoje em estado de “empobrecimento extremo e multidimensional”.

    Na Cisjordânia, o quadro também se agrava. O relatório aponta que a expansão acelerada de assentamentos, a escalada da violência e as restrições severas à circulação “dizimaram a economia local”. Entre 2023 e 2024, o PIB da região caiu 17%, enquanto o PIB per capita retrocedeu quase 19% — retornando aos níveis de 2008 e 2014. Paralelamente, Israel reteve US$ 1,76 bilhão (mais de R$ 9,4 bilhões) em repasses fiscais desde 2019, o equivalente a 12,8% do PIB palestino em 2024, dizimando a capacidade da Autoridade Palestina (AP) de pagar salários, manter serviços básicos e estabilizar as finanças públicas.

    Continua após a publicidade

     

     

     

     

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    MELHOR OFERTA

    Digital Completo