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Grupo separatista basco ETA pede desculpas a vítimas antes de dissolução

Milhares foram feridos durante mais de 50 anos de campanha violenta para criar um Estado independente no norte da Espanha e no sudoeste da França

Por Da redação - Atualizado em 20 abr 2018, 17h12 - Publicado em 20 abr 2018, 09h49

O grupo militante basco Euskadi Ta Askatasuna (ETA, sigla em basco para País Basco e Liberdade) pediu desculpas nesta sexta-feira pelo mal causado a suas vítimas e familiares durante uma campanha violenta de meio século para criar um Estado independente no norte da Espanha e no sudoeste da França. Espera-se que o grupo anuncie sua dissolução definitiva no início do próximo mês, pouco mais de um ano depois de encerrar sua campanha separatista armada ao entregar suas armas e explosivos.

A organização declarou um cessar-fogo em 2011 e entregou seus estoques de armas em abril de 2017, colocando fim à última grande insurgência armada da Europa Ocidental. “Estamos cientes de que, durante este longo período de luta armada, provocamos muito sofrimento, inclusive muitos danos para os quais não há solução. Queremos mostrar respeito pelos mortos, pelos feridos e pelas vítimas das ações do ETA… pedimos desculpas sinceras”, informou um comunicado publicado no jornal basco Gara.

“Olhando para a frente, a reconciliação é uma das tarefas do País Basco, algo que já está acontecendo entre os cidadãos. É um exercício necessário para reconhecer a verdade de maneira construtiva, curar feridas e oferecer garantias para que este sofrimento não volte a acontecer.”

O governo espanhol saudou o pedido de desculpas e disse que o grupo foi derrotado “com as armas da democracia”. “As vítimas, sua memória e sua dignidade foram decisivas para derrotar o ETA. O ETA deveria ter se desculpado pelos danos causados de maneira sincera e incondicional muito tempo atrás”, disse o gabinete do primeiro-ministro Mariano Rajoy.

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A organização foi fundada em 1959 e surgiu da revolta e da frustração dos bascos, que têm sua própria língua e cultura, com a repressão política do então líder espanhol, o general Francisco Franco. A campanha basca, que incluiu assassinatos políticos e ataques com bomba visando a população geral, teve uma escalada nos anos 1960 e enfrentou uma violência recíproca do ditador.

O ETA anunciará sua dissolução definitiva durante o primeiro fim de semana de maio, disse a emissora basca ETB na quarta-feira.

Detalhes do evento devem ser comunicados pelo advogado sul-africano Brian Currin e outros membros do organismo de mediação Grupo de Contato Internacional em uma coletiva de imprensa na segunda-feira.

(Com Reuters)

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