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Governo Trump alivia restrições de exportação de petróleo a Cuba por ‘razões humanitárias’

Renovada campanha de pressão dos EUA agravou escassez de combustível e gerou alertas de crise humanitária

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 fev 2026, 14h52 • Atualizado em 25 fev 2026, 17h21
  • Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira, 25, que irão flexibilizar restrições às exportações de petróleo venezuelano para o setor privado de Cuba por “razões humanitárias”, em meio à crise energética que assola a ilha.

    Em comunicado, o Departamento do Tesouro americano afirmou que irá autorizar que empresas solicitem licença para revender petróleo venezuelano a Cuba, permitindo “transações que apoiem o povo cubano, incluindo o setor privado cubano”, como as exportações de petróleo “para uso comercial e humanitário”.

    Autoridades americanas já haviam adiantado a medida à Bloomberg ao longo da semana, citando a estratégia do governo de Donald Trump para tranquilizar empresas de energia, garantindo que elas podem vender petróleo e combustível para negócios privados cubanos, após uma renovada campanha de pressão dos EUA ter gerado alertas de uma crise humanitária.

    A nova política surge em um momento em que grandes tradings, como Vitol e Trafigura, concentram a maior parte das exportações de petróleo da Venezuela, segundo análise da agência Reuters. Milhões de barris são enviados aos EUA, à Europa e à Índia, enquanto outros milhões permanecem armazenados em terminais no Caribe para posterior revenda.

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    + Cuba acusa EUA de provocar ‘catástrofe humanitária’ na ilha com bloqueio energético

    Após a operação em janeiro que capturou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, um dos maiores aliados de Cuba, Donald Trump revigorou a pressão para tentar forçar a derrubada do regime de seis décadas de Cuba.

    Historicamente, quase todo o combustível importado por Cuba era comprado pelo Estado, sendo a Venezuela e, posteriormente, o México, as principais fontes de petróleo. Esses suprimentos diminuíram em meio a uma restrição de petróleo imposta pelos EUA à Venezuela e à pressão diplomática americana sobre outros aliados de Havana na região.

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    Na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, declarou em Genebra, na Suíça, que os Estados Unidos estariam promovendo uma política de bloqueio energético com a intenção de desencadear uma “catástrofe humanitária” na ilha. Segundo o chanceler, Washington estaria usando a alegação de que Havana representa uma ameaça à sua segurança nacional como pretexto para justificar medidas que agravam a escassez de combustível e os frequentes apagões no país.

    O agravamento das condições de vida em Cuba motivou mobilização internacional. Grupos de movimentos sociais, sindicatos e organizações humanitárias anunciaram planos para enviar um comboio ao país até 21 de março, com alimentos, medicamentos, suprimentos médicos e itens essenciais, na tentativa de amenizar os efeitos da escassez.

    + ONU alerta para risco de colapso humanitário em Cuba por falta de petróleo

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    Um jornal russo informou na semana passada que Moscou estava se preparando para enviar cargas de petróleo bruto e combustível para a ilha comunista em um futuro próximo, sem fornecer uma data específica. O México também afirmou que pretende enviar ajuda humanitária.

    A situação dramática também se expande para outras áreas da sociedade. O site estatal Cubadebate informou este mês que apenas 44 dos 106 caminhões de lixo de Havana puderam continuar operando devido à escassez de combustível, retardando a coleta de lixo e criando montanhas de resíduos em partes da capital.

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    No início do mês, a Organização das Nações Unidas (ONU) alertou sobre a rápida deterioração da situação em Cuba. O secretário-geral da entidade, António Guterres, advertiu para o risco de um “colapso humanitário” caso o país não consiga importar petróleo suficiente para atender às necessidades básicas da população.

    Segundo o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, a escassez de combustível compromete diretamente serviços essenciais, como hospitais, abastecimento de água, transporte público e a distribuição de alimentos. “O secretário-geral está muito preocupado com a situação humanitária em Cuba, que pode se agravar severamente — ou mesmo entrar em colapso — se suas necessidades de petróleo não forem atendidas”, afirmou.

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