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Ex-imperatriz do Irã incentiva Forças Armadas a se juntarem a manifestações no país

Farah Pahlavi, viúva do xá deposto por revolução em 1979, pediu empatia aos militares em meio à repressão: 'Irã livre de amanhã também pertence a seus filhos'

Por Luiza Zubelli
13 jan 2026, 16h19 • Atualizado em 13 jan 2026, 17h35
  • A ex-imperatriz do Irã, Farah Pahlavi, publicou na segunda-feira 12 um comunicado oficial em suas redes sociais chamando as Forças Armadas iranianas a se juntarem aos protestos que tomaram seu país. Do exílio que ela divide entre Paris e Washington, seu pedido reforça o apelo do filho, o príncipe Reza Pahlavi, que, tentando se projetar como alternativa ao regime do aiatolá Ali Khamenei, incentivou multidões a irem às ruas e reforçou a necessidade da colaboração dos agentes de segurança.

    “Lembrem-se de que a sobrevivência de qualquer governo e a preservação de qualquer benefício não justificam o derramamento do sangue de seus compatriotas. Ouçam os gritos de raiva e fúria dos manifestantes. Unam-se a seus irmãos e irmãs antes que seja tarde demais e não atrelem seu destino ao dos assassinos. O Irã livre de amanhã também pertence a seus filhos. Não arruínem seu futuro e o de suas famílias derramando o sangue de seus compatriotas”, escreveu a antiga monarca no X (ex-Twitter).

    Farah já havia manifestado seu apoio aos protestos no Irã na primeira semana do ano, mas a mensagem recente nas redes foi inédita no tom e no contexto: na última semana, as manifestações tomaram grandes proporções e o povo iraniano extrapolou as reivindicações econômicas, pedindo inclusive o fim da República Islâmica, criada em 1979 com a Revolução Islâmica. Isso trouxe a monarquia de volta à mesa como uma alternativa ao governo atual.

    “Sei que pessoas mal-intencionadas cortaram os canais de comunicação com o mundo exterior por medo que sua voz seja ouvida, mas saiba que sua mensagem é forte demais para ser silenciada”, afirmou a ex-imperatriz. O bloqueio do serviço telefônico e de internet no país já dura mais de quatro dias, embora a agência de notícias The Associated Press tenha reportado nesta segunda que o governo permitiu temporariamente algumas ligações para o exterior nesta manhã.

    Ao fim da publicação, Farah chamou o povo iraniano de “meus filhos” e pediu que eles se mantenham esperançosos. “Sejam fortes e acreditem que em breve vocês celebrarão juntos a liberdade no Irã, e a luz triunfará sobre as trevas”, concluiu. 

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    Farah Pahlavi foi a terceira esposa do rei Mohammad Reza Shah Pahlavi , a quem conheceu enquanto estudava em Paris, na França. O relacionamento do casal foi tema de manchetes mundo afora nas décadas de 1960 e 1970 e a ex-imperatriz se tornou um ícone internacional, com a imagem retratada por artistas como Andy Warhol.

    Seu filho, Reza Pahlavi, que vive exilado nos Estados Unidos, tornou-se uma das principais figuras da oposição iraniana. Ele convocou manifestações na semana passada (e foi ouvido) por meio das redes sociais e pediu apoio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para conter a repressão do regime, que já matou cerca de 2.000 manifestantes, segundo ONGs e autoridades do próprio governo iraniano. Nos protestos, gritos pró-Pahlavi, pedindo a restauração da monarquia, têm sido comuns.

    A ex-imperatriz deixou o Irã em janeiro de 1979, acompanhada de seu marido. Apenas duas semanas depois de sua saída, o líder da Revolução Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini, instalou-se no poder. No ano seguinte, o xá morreu em Cairo, no Egito, devido a um câncer.

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