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Conheça Reza Pahlevi, herdeiro do xá que o Irã derrubou e agora aclamado em protestos

Exilado desde a adolescência, o príncipe de 65 anos passou a ser citado em gritos nas ruas e tenta se projetar como alternativa ao regime teocrático

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 jan 2026, 16h00 •
  • Filho do último xá do Irã e príncipe herdeiro de uma dinastia derrubada pela Revolução Islâmica de 1979, Reza Pahlavi, de 65 anos, voltou a ganhar destaque em meio à maior onda de protestos registrada no país em anos. Exilado desde a adolescência, o pretendente ao trono tenta se projetar como alternativa ao regime teocrático comandado pelo aiatolá Ali Khamenei e busca um papel de liderança na fragmentada oposição iraniana. Os atos, deflagrados pela desvalorização da moeda local e pela disparada dos preços, rapidamente evoluíram para abranger críticas abertas ao sistema político vigente.

    Nascido em Teerã em 1960, o príncipe Pahlavi era o sucessor natural da dinastia que levava seu sobrenome. Deixou o país em 1978, ainda jovem, para treinamento como piloto militar nos Estados Unidos, e nunca mais retornou. Pouco depois, a queda de seu pai, Mohammad Reza Pahlavi, o último xá iraniano que governou o país por quase 40 anos de aproximação com o Ocidente, resultou no fim da monarquia e na criação da República Islâmica.

    Em 1980, com a morte do pai no Egito, para onde escapou, Reza Pahlavi assumiu simbolicamente o título de xá e passou mais de quatro décadas vivendo entre Los Angeles, Washington e Paris. Sua trajetória também foi marcada por tragédias pessoais: perdeu uma irmã por overdose e um irmão por suicídio — episódios que ele associou publicamente ao desgaste e ao trauma do exílio prolongado da antiga família real iraniana.

    Ao longo das décadas, o herdeiro consolidou-se como crítico contumaz do regime clerical. Mais recentemente, intensificou sua atuação por meio das redes sociais e de emissoras em língua persa, utilizando vídeos, entrevistas e pronunciamentos para mobilizar simpatizantes dentro e fora do país. Durante a onda de protestos que começou em 28 de dezembro, suas mensagens ganharam repercussão e passaram a ecoar nas ruas. Manifestantes entoaram palavras de apoio, incluindo o slogan “Pahlavi voltará!”.

    O príncipe também defende uma atuação mais firme dos Estados Unidos em apoio aos manifestantes e chegou a apelar diretamente ao presidente Donald Trump para que se envolvesse na crise. O ocupante do Salão Oval, por sua vez, afirmou não ver condições para um encontro com o herdeiro exilado neste momento, embora mantenha um discurso duro contra Teerã, tenha ameaçado intervenções e indicado manter contato com a oposição.

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    Mesmo sem pisar no Irã há décadas, Pahlavi afirmou em entrevista à emissora americana Fox News estar pronto para retornar ao Irã “na primeira oportunidade” e reivindica para si o papel de articulador de uma possível transição política. Diz defender um país laico, com mais direitos civis e liberdades sociais, sobretudo para as mulheres, e declara não ter a intenção de restaurar a monarquia, mas de avançar rumo à democracia.

    Apesar disso, o príncipe exilado continua sendo uma figura controversa. Ele evita críticas diretas ao governo do próprio pai, marcado pela ação da temida polícia secreta Savak, e enfrenta resistência entre minorias étnicas e setores da oposição que rejeitam qualquer vínculo com a antiga dinastia.

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