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Ex-embaixador britânico nos EUA envolvido no caso Epstein é detido pela polícia

Arquivos divulgados mostram que Peter Mandelson teria recebido dinheiro de financista e informado americano sobre mudanças políticas

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 fev 2026, 14h35 • Atualizado em 23 fev 2026, 14h38
  • O diplomata Peter Mandelson, ex-embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, foi detido pela polícia nesta segunda-feira, 23, em sua casa em Londres, segundo informações da emissora britânica BBC.

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    Mandelson é investigado criminalmente por autoridades britânicas desde a divulgação, no início do mês, de documentos ligados ao caso do notório predador sexual Jeffrey Epstein. Arquivos mostram que ele teria informado Epstein sobre alterações na política fiscal britânica e incluem extratos de pagamentos feitos pelo criminoso ao político — além de incluir uma controversa foto do mesmo de cuecas ao lado de uma mulher.

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    “Agentes prenderam um homem de 72 anos sob suspeita de má conduta em cargo público. Ele foi preso em um endereço em Camden na segunda-feira, 23 de fevereiro, e levado para uma delegacia de polícia em Londres para interrogatório. A prisão ocorreu após mandados de busca e apreensão em dois endereços nas áreas de Wiltshire e Camden”, afirmou a Polícia Metropolitana em comunicado.

    Peter Mandelson começou a trabalhar para o Partido Trabalhista na década de 1980 e desempenhou um papel fundamental na vitória esmagadora de Tony Blair nas eleições de 1997. Ele foi nomeado embaixador britânico nos EUA em dezembro de 2024 — já se sabia, antes da nomeação, que ele mantinha uma amizade com Epstein, mas ele foi demitido em setembro passado, após o governo afirmar que novas informações sobre os laços haviam surgido.

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    O nobre foi demitido do cargo em setembro passado, depois que Downing Street afirmou que novas informações sobre a profundidade desse relacionamento haviam surgido.

    O caso coloca mais pressão sobre o primeiro-ministro Keir Starmer, que já vinha sofrendo com baixa popularidade e passou a ter sua credibilidade ainda mais criticada por ter nomeado Mandelson, que é do seu partido. Na semana passada, o premiê afirmou que “jamais abandonarei o mandato que me foi confiado”

    O material exposto pelo Departamento de Justiça dos EUA mostra Mandelson atuando em favor de Epstein em diferentes momentos, seja tentando modificar políticas governamentais, seja informando sobre movimentações notáveis. E-mails datados de 2009, época em que Mandelson atuava como secretário de negócios no governo do então premiê Gordon Brown, apresentam o político assegurando a Epstein que estava “se esforçando” para mudar a política governamental sobre banqueiros a seu favor.

    Outra peça, datada de 2010, mostra Mandelson atualizando o notório criminoso sobre a campanha contra o imposto de mineração do então primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd. Na ocasião, Rudd havia proposto um imposto que tributaria em 40% os “super lucros” obtidos pelas empresas de mineração no país. O e-mail revelado mostrava o político britânico encaminhando a Epstein uma mensagem do chefe da mineradora Xstrata, Mick Davis, discutindo a movimentação.

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    A amizade entre Mandelson e Epstein já havia sido exposta no ano passado, quando o Congresso Americano apresentou um “livro de aniversário” compilado para o 50º aniversário do criminoso, onde o diplomata britânico o chama de “meu melhor amigo”. Na sequência, a agência de notícias Bloomberg trouxe a público uma série de e-mails trocados pela dupla, mostrando o apoio de Mandelson ao pedófilo. A controvérsia levou à demissão do embaixador pelo premiê Keir Starmer.

    Outras autoridades britânicas também são investigadas por ligações com Epstein. Na semana passada, o ex-príncipe Andrew deixou a delegacia após ser preso como parte de investigações de má conduta no exercício de cargo público.

    Mensagens sugerem que Andrew teria compartilhado relatórios de visitas oficiais a países como Hong Kong, Vietnã e Singapura, além de um suposto documento confidencial sobre oportunidades de investimento na reconstrução da província de Helmand, no Afeganistão.

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