Gastos de Andrew como enviado comercial entram na mira e geram nova controvérsia
Ex-funcionários públicos relatam despesas do irmão do rei Charles III com 'serviços de massagem' e viagens internacionais
O ex-príncipe britânico Andrew enfrenta acusações de ex-funcionários públicos sobre cobrança de despesas excessivas durante o período no qual atuou como enviado comercial do Reino Unido, informou a emissora britânica BBC.
Segundo relatos, o irmão do rei Charles III teria exigido despesas consideradas exageradas, incluindo pedidos de “serviços de massagem” e custos de viagens internacionais.
Um ex-funcionário do departamento de comércio do Reino Unido no início dos anos 2000 relatou ter se recusado a pagar uma dessas despesas durante uma visita de Andrew ao Oriente Médio, mas que sua decisão foi anulada por superiores.
“Eu achei que estava errado… Eu disse que não deveríamos pagar, mas acabamos pagando de qualquer forma”, disse o ex-funcionário à BBC.
Outra fonte ouvida pela emissora britânica, um ex-alto funcionário de Whitehall, confirmou despesas similares, incluindo diversos voos, além de um número desproporcional de quartos de hotel e gastos para a comitiva do ex-príncipe.
“Não podia acreditar… era como se não fosse dinheiro real, eles não estavam gastando nada do próprio bolso”, disse a fonte, acrescentado que não tinha “nenhuma dúvida” sobre a veracidade das informações.
O ex-alto funcionário ainda afirmou que os custos “desapareciam em diferentes orçamentos”, dificultando o rastreamento, e que não havia clareza sobre quem de fato fazia parte da comitiva.
Um ex-funcionário do falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein relatou que Andrew recebia uma “massagem diária” quando o visitava.
O cargo ocupado por Andrew na época não era remunerado, mas ele contava com apoio de funcionários públicos e recursos dos contribuintes para suas viagens.
Na quinta-feira, Andrew deixou a delegacia após ser preso pela polícia do Reino Unido em meio a investigações de má conduta no exercício de cargo público, que envolveriam possíveis ligações com Epstein. O irmão do rei Charles III ficou detido por cerca de 11 horas.
A investigação está ligada a e-mails tornados públicos nos milhões de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos relacionados ao financista Epstein, morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual.
As mensagens sugerem que Andrew teria compartilhado relatórios de visitas oficiais a países como Hong Kong, Vietnã e Singapura, além de um suposto documento confidencial sobre oportunidades de investimento na reconstrução da província de Helmand, no Afeganistão.





