Todo bebê que nasce nos Estados Unidos torna-se automaticamente cidadão americano. Cravado na 14ª emenda da Constituição há 158 anos, esse princípio foi colocado em xeque por Donald Trump no primeiro dia de seu mandato. Em uma de suas 269 ordens executivas (e subindo), ele determinou que a regra não seria válida para filhos de imigrantes ilegais. Rejeitada por diversos tribunais, a ordem foi levada à Suprema Corte. Trump em pessoa foi à sessão assistir ao debate do tema — e saiu de cara amarrada quando percebeu que a coisa não andava como queria. Pois bem: para alívio dos manifestantes que se postaram em frente ao prédio da corte, em Washington, para defender o chamado “direito de solo”, na terça-feira 30, os juízes declararam a medida inconstitucional, garantindo a cidadania a 250 000 crianças que seriam imediatamente afetadas. Foi uma derrota e tanto, mas Trump acabou ganhando outros embates nos dias que antecedem ao recesso de verão da Justiça de lá. De maioria conservadora, a Suprema Corte votou a favor de posições que ampliam o poder da Casa Branca de demitir funcionários de órgãos independentes — embora sustando o pedido de afastamento de uma conselheira do Fed, o banco central — e de apertar o cerco a imigrantes, além de vetar meninas transgênero em esportes femininos, uma pauta republicana. Por fim, uma chateação pessoal para o presidente: os magistrados negaram-se a rever a indenização de 5 milhões de dólares à colunista E. Jean Carroll, que o acusou de assédio e ganhou a causa. Muito a contragosto, ele vai ter que pagar.
Publicado em VEJA de 3 de julho de 2026, edição nº 3002







