EUA: Oklahoma passa a obrigar ensino da Bíblia em escolas públicas
Estado americano borra os limites entre ensino religioso e educação pública ao exigir aulas sobre Dez Mandamentos, entre outros temas

O superintendente estadual de Oklahoma, o republicano Ryan Walters, anunciou nesta quinta-feira, 27, que todas as escolas públicas do estado dos Estados Unidos serão obrigadas a darem aulas sobre a Bíblia, incluindo temas como os Dez Mandamentos. A medida extraordinária borra os limites entre o ensino religioso e a educação pública.
Walters descreveu a Bíblia como uma “pedra de referência histórica e cultural indispensável” e disse que o ensino do livro sagrado passará a ser exigido em certos níveis escolares.
Religião nas escolas
A medida ocorre uma semana depois do estado da Louisiana se tornar o primeiro estado a exigir que escolas públicas tenham cartazes com os Dez Mandamentos em todas as salas de aula. A nova lei foi rapidamente contestada em um tribunal local, e o mesmo deve acontecer com a iniciativa de Oklahoma.
O movimento para incluir textos religiosos nas salas de aula faz parte de uma tendência crescente, em nível nacional, para criar e interpretar leis de acordo com uma visão de mundo particular, marcada pelo cristianismo conservador.
Oklahoma também tentou ser o primeiro estado a autorizar uma licença para uma escola religiosa, o que teria canalizado recursos obtidos por meio de impostos para uma escola católica online, com inauguração prevista para agosto. A Suprema Corte de Oklahoma barrou a iniciativa nesta semana, mas é provável que apoiadores apelem da decisão.
A diretriz já encontrou resistência por parte dos Americanos Unidos pela Separação da Igreja e do Estado, organização que também entrou com uma ação judicial para impedir a escola religiosa em Oklahoma e a lei dos Dez Mandamentos na Louisiana.
“Escolas públicas não são escolas dominicais”, disse Rachel Laser, presidente do grupo, acrescentando: “Escolas públicas podem ensinar sobre religião, mas não podem pregar”.
A Igreja e o Estado
Walters, um ex-professor de história que fazia parte do gabinete do governador de Oklahoma, Kevin Stitt, antes de ser eleito superintendente estadual em 2022, tornou-se um implacável defensor de medidas conservadoras na área da educação. Nas escolas públicas, ele lutou para proibir temas como racismo, história e identidade de gênero, jogando tudo sob o guarda-chuva de “ideologia woke”.
Em seu anúncio nesta quinta-feira, Walters chamou a Bíblia de “um documento histórico necessário para ensinar nossos filhos sobre a história deste país, para ter uma compreensão completa da civilização ocidental, para ter uma compreensão da base do nosso sistema jurídico”.
Não ficou claro no que implicaria o ensino da Bíblia, ou em quais níveis de escolaridade as aulas seriam incluídas. Walters garantiu, porém, que o estado poderia fornecer os materiais didáticos para “garantir uniformidade na entrega”.