Espanha retira embaixadora de Israel em protesto contra guerra no Irã e em Gaza
Decisão segue embate entre premiê Pedro Sánchez e presidente dos EUA, Donald Trump
O governo da Espanha anunciou nesta quarta-feira, 11, a retirada permanente de sua embaixadora em Israel, Ana María Sálomon Pérez, conforme publicado no Diário Oficial do Estado. A representação diplomática em Tel Aviv passará a ser conduzida por um encarregado de negócios, informou o Ministério das Relações Exteriores à agência de notícias Reuters.
A decisão reflete o endurecimento da postura espanhola diante do conflito no Oriente Médio, demonstrando crítica tanto às ações militares dos Estados Unidos e Israel contra o Irã quanto às operações israelenses em Gaza, em curso desde outubro de 2023.
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“Por proposta do Ministro dos Negócios Estrangeiros, da União Europeia e da Cooperação, e após deliberação do Conselho de Ministros na sua reunião de 10 de março de 2026, ordeno a cessação do mandato da Sra. Ana María Sálomon Pérez como Embaixadora de Espanha no Estado de Israel”, diz o comunicado.
Sálomon havia sido chamada para consultas em setembro de 2025, em meio à deterioração das relações entre os dois países, e permaneceu na Espanha desde então. A formalização de sua retirada marca a ausência de um embaixador espanhol em Israel.
A embaixada de Israel em Madrid também é administrada por um encarregado de negócios desde maio de 2024, quando Tel Aviv convocou seu representante em protesto à decisão espanhola de reconhecer o Estado da Palestina.
Na semana passada, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está “brincando de roleta russa” com o destino de milhões de pessoas em meio à escalada do conflito no Oriente Médio desencadeado por ataques americanos e israelenses ao Irã.
A declaração foi feita poucos dias depois de Trump afirmar que quer encerrar todas as relações comerciais com a Espanha, após o país europeu se recusar a permitir que militares americanos usassem suas bases para missões relacionadas aos ataques ao Irã.





